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As pessoas falam muito sobre sexo. Eu pelo menos falo. Não sei se é uma questão geracional ou do meu contexto social direto mas, a verdade, é que falo sobre sexo todos os dias. Ou, pelo menos, sempre que saio para tomar café. Não há conversa que não acabe, comece ou passe lá perto. Será uma tendência feminina? Estou, de facto, rodeada de “jovens adultas”. Casadas, solteiras, enamoradas. O sexo preocupa-nos e interessa-nos. Queremos saber como as outras se sentem a fazer X e se gostam de Y, mas fazemo-lo em contexto protegido, em conversas pessoais e, se queremos divulgar conteúdos sex related, fazemo-lo em grupos privados do facebook. O sexo é mainstream, mas a sua discussão nem tanto.

Plantaram-nos a ideia adolescente de que “os homens só querem uma coisa” ou de “que são uns gabarolas” mas e nós? Discutimos pormenorizadamente a “noite de ontem”, detalhamos tamanho, formato e dureza do pénis dele e, ainda, a sua performance. A nossa sociedade tende à objetificação da mulher e da sua imagem mas entre [estas] mulheres eles são despidos e retalhados e ai deles se ejacularam depressa demais ou se tinham pelos no sítio errado. Se se distraírem e se se alongarem nus de costas, as mais afoitas até sacam uma foto para exibir no lanche de domingo. A diferença encontrar-se-á, parece-me, no facto de as mulheres procederem a esta objetificação em contexto privado (com exceção, talvez, para a app Lulu, que tanta polémica causou no Brasil), enquanto os homens são socialmente autorizados a fazê-lo na rua, no trabalho, nos media, etc.

Apesar de o que descrevo ser caricatural, capta decentemente o meu feeling entre trincas de croissant e golinhos de meia de leite. É óbvio que não falamos só só de sexo, mas que é muito importante para nós, não há dúvida, que pode ser muito divertido (des)conversá-lo, também não. Por isso que criei o pronto a despir, para trazer o sexo para fora da minha mesa de café e, se possível, desnudar-lhe alguns preconceitos. Procuro apenas criar espaço para tratar abertamente temáticas relacionadas com o sexo, convidar os utilizadores a participar e, quem sabe, levar o sexo para mais mesas de café. Estou pela desmarginalização do sexo, que de uma forma ou de outra, nos preocupa a todos.