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 Tenho a sensação de que a expetativa de um encontro sexual desejado vem acoplada a uma expressão facial especial que, se não é universal, anda lá perto, pelo menos no mundo ocidental. Nada diz “contentamento” como os olhos sorridentes do “I’m going to get laid!”. Uso a expressão inglesa porque não conheço uma equivalente portuguesa que expresse tamanha transversalidade. Tipo: “Vou pinar hoje!”, “Hoje faço o amor”, “Vou ter relações sexuais”, “Hoje fodo!”?! Não é fácil. To get laid, parece-me uma expressão perfeitamente adequada. Nesta era de ampla globalização não só estamos autorizados a adotar este tipo de estrangeirismos como integramos em nós as mensagens culturais subjacentes. Mas talvez possamos deixar a discussão sobre a influência do global e da cultura na sexualidade para outro post. Voltando ao pré-sexo

Nada como tomar aquele banho caprichado, fazer a depilação, passar o creme cheiroso e colocar um outfit que, na verdade, esperamos despir com celeridade. Todos os rituais antecipatórios são importantes. Acompanham a excitação e funcionam como estimulante mental, criam o desejo. Fantasiamos sobre o que se sucederá, criamos cenários, enredos e, quando finalmente a concretização está próxima, aquele sorriso idiota que acompanhou toda a antevisão da cena transmuta-se em batimentos cardíacos acelerados, tensão na zona pélvica e nas famosas borboletas por ali acima. Há, efetivamente, muito do sexo que ocorre fora dele.

A antecipação do sexo pode ser uma coisa maravilhosa. Está bem que nem sempre este contexto “colorido” acompanha o ato em si. Trabalhamos, estamos cansados, precisamos de ir ao supermercado ou de terminar aquele documento que já não conseguíamos fitar, no vazio, no emprego, e há ainda filhos (os meus parabéns aqueles que se encontram em situação económica para os ter). Isto, já para não falar na duração das relações! As borboletas são efémeras…

De acordo com estudos diversos (e.g., Trudel et al., 2010), a satisfação sexual vai diminuindo ao longo do tempo (idade e duração da relação), isto é, quanto mais longa a relação amorosa menor a satisfação sexual. Nesse caso, será que estamos todos condenados a mau sexo – ou “sexo menos satisfatório que outrora”, vá – apenas por optarmos por uma relação de compromisso? Não necessariamente. Na verdade, quanto maior a satisfação com a relação amorosa, no global, maior a satisfação sexual (Lawrance & Byers, 1995), sendo que o contrário também é verdade: casais mais satisfeitos sexualmente são, também, casais mais felizes. Uma bela pescadinha de rabo na boca.

Então, como ser feliz em casal e/ou estar sexualmente satisfeito? Gostava muito de saber responder, mas não sei. O que parece, é que as duas valências influem muitíssimo uma à outra mas, uma vez que este é um blogue sobre sexo, no sexo que me focarei. Se o sexo é tão importante para a relação e é tão bom (para quem gosta), porque se queixam tanto os casais de perda de desejo ao longo do tempo? Há o cansaço, a rotina, já sabemos… No entanto, não podemos, como já vimos, subestimar a relevância da sexualidade na relação. Podemos, antes, valorizá-la. Não digo que as relações tenham ou devam ser hipersexuais ou que seja possível mimetizar os primeiros tempos de uma relação, mas, por vezes, proceder a pequenas mudanças nos contextos habituais pode trazer-nos alegrias.

Suponho, que com isto tudo, esteja a incentivar-vos não apenas aos rituais antecipatórios como os que descrevi, ou o-que-quer-que-façam-antes-do-sexo, mas a fomentar a espontaneidade. Com isto não estou a referir-me excentricidades, tão-somente a sair do usual quotidiano do pijama-xixi-cama.