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Li recentemente o “Sexus” do Henry Miller. Confesso que Mr. Miller, a personagem ficcional e autobiográfica, me começou por irritar. Achei-o um parasita psicopatado e arrogante. A forma como parecia dispor dos outros causava-me uma enorme sensação de estranheza, surpreendendo-me desconfortavelmente – experiências dos sentidos apenas ultrapassadas pelas causadas pelas personagens femininas. Tolas ao ponto de merecerem estalos. Ou pelo menos ele assim as representava. Passei o romance, na íntegra, pensando “Não volto a ler nada deste tipo, que se lixe a trilogia”. O que é interessante era que, acoplada a esta rejeição da personagem, galopava a vontade de saltar de cena em cena de sexo. Dei por mim lendo dezenas de páginas na diagonal, na excitação de me deparar com o seu próximo encontro sexual. Felizmente, nesta fase de vida do Henry Miller, tal nunca se fazia esperar.

Não utilizei a expressão “excitação” por acaso. Excitante é efetivamente o termo. Não tenho dúvidas acerca da agravação da frequência punheteira proporcionada pelo “Sexus”. É absolutamente maravilhoso. Até para as mulheres. As descrições são cruas e absolutamente detalhadas. O tipo descreve-se como tendo uma virilidade mitológica, claro está, e um desejo insaciável, mas mostra-se muito orientado para o prazer feminino. As suas (múltiplas) parceiras estão sempre molhadas e sequiosas pelo seu toque ou língua, prendas que este lhes oferta sem hesitar. Têm sempre orgasmos e querem sempre mais. O Henry, um mouro de trabalho na cama, nunca lhes nega nada, além de que tudo o que lhes faz espontaneamente é recebido como uma dádiva. As descrições do seu pénis, em qualquer dos estados, são inteiramente realistas, verdadeiras ilustrações.

Eu sempre gostei de descrições. Os primeiros capítulos de “Os Maias”, uma tortura para alguns, foram um miminho para mim. Mas esqueçam os maples do Eça e deleitem-se com um excerto do Henry Miller:

“Parecia mais sedosa do que nunca, a cona dela, e eu deslizava os dedos para dentro e para fora, como quem toca um banjo. Estava com uma daquela ereções inchadas, a meia haste, que tornam a pila ainda mais agressiva do que quando está completamente cheia. Suspensa na minha braguilha, roçava na coxa dela. Ainda estava nua. Comecei a secá-la, a pila a endurecer aos poucos e a estremecer com pequenos espasmos na direção dela. Finalmente, não aguentou mais. Pôs-se de joelhos e meteu-a impulsivamente na boca. Passei-lhe os dedos pelos cabelos, a acariciar as orelhas e a nuca, e depois agarrei-lhe os seios e acariciei-os suavemente, deixando-me ficar nos mamilos até endurecerem. Ela tinha aberto a boca e lambia-me a pila como se fosse um doce.

– Mete, mete! – Pedia ela, a baba a sair-lhe dos lábios, a mão à procura da pila para enfiá-la.

– Meu Deus, agora é que te vou foder como deve ser. Não te preocupes que não me venho. Mexe-te o que quiseres… Sacode-te para cima e para baixo… Assim mesmo.

– Não te vens, pois não? – Pediu-me, os olhos no espelho do lavatório. – Estou toda aberta…

Aquele “toda aberta” despertou toda a minha luxúria. Enfiei-o devagar, aos bocadinhos, a mexê-lo de um lado para o outro, a roçar as pregas e o forro da cona toda aberta, até sentir a entrada do útero; foi lá que o enfiei com força, cravando-me ao rabo dela como se quisesse deixá-lo lá para sempre.

– Oh, oh – gemia ela – Não te mexas, por favor, aguenta!

Aguentei-me sim senhor, mesmo quando o traseiro começou a rodar, desvairado.

– Sabe tão bem – disse ela, a cabeça a descair, como que desarticulada do corpo. – Estás maior, sabes? Está apertado que chegue para ti? Estou tão aberta.

– Está bom – disse eu. – Encaixa lindamente. Olha, não te mexas mais… Aperta-a, só… Sabes como…

Virei-a para mim, a minha pila a brilhar com o líquido dela, e dura como um poste.”

And so on…

É possível que após a sua leitura tenham necessitado de uma incursão privada à vossa roupa interior. Percebo perfeitamente.

O que não percebo são os meus sentimentos em relação ao Henry Miller. Ele faz um uso instrumental de todos em seu redor, mas nunca deixa de lhes ser querido. Até as mulheres com quem se relaciona parecem somente ofender-se por curtos instantes, aceitando-o, por fim. Estas mulheres, que ele vê como tolinhas com a maturidade (e hormonas) de uma adolescente, parecem representar uma sua fantasia naïf, extraordinariamente sexuada, mas naïf, não obstante. São elas que lhe vão passando a perna e Henry não as compreende realmente. Eu também não o compreendo de facto e, apesar de ter prometido não voltar a lê-lo, fá-lo-ei certamente. Intriga-me a personagem. E é excitante, claro.

Por favor que alguém a me ajude a resolver esta minha ambivalência em relação ao Henry Miller.