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O que é que penso realmente acerca do fellatio? Penso que será a fantasia sexual mais unânime entre os homens. E das suas práticas preferidas.

Não é difícil de perceber porquê. O local encontra-se húmido, desliza que é uma maravilha (sem precisar de aquecimento), e a abertura, força e velocidade são controladas a pedido. Por ela. (E ela gosta, pelo menos nos filmes).

Quem os pode condenar? Parece incrível.

A fantasia é também poderosa, provavelmente induzida por centenas de visualizações de pornografia orientada para os homens – que é como quem diz a pornografia no geral. Conclusão: o fellatio vai ser uma prática desejada/fantasiada a dada altura. Quer apreciem realmente a atividade, quer a façam mais numa de “olho por olho, dente por dente”, quer não a pratiquem de todo (porque não gostam), em algum momento já se confrontaram com ela. [Este provérbio aplica-se? Sempre fui péssima nestas coisas. Ou remete só para vingança? O que queria dizer era que talvez praticassem sexo oral ao vosso parceiro num sistema de trocas mas “toma lá, dá cá” pareceu-me muito popularucho].

Muito bem, e o que é que acontece realmente no confronto da cavidade bucal com o falo desejoso de saliva? Há alguns pormenores sórdidos, além dos prazerosos, que passarei a nomear.

Para começar é uma dinâmica que implica vários órgãos dos sentidos. Os olhos, por exemplo. Diria que é importante que o pénis seja atraente. Da mesma forma que beijamos mais facilmente alguém que nos atrai, também o faremos com os pénis, suponho. Quanto mais atrativo, mais magnético, claro está. Muito bem, é bonito? Check, aproximamo-nos. Cheira bem? Higiene e limpeza são imperativas, meus caros. No sexo oral não estão só a foder uma boca, fodem olhos e nariz, importantes avaliadores e só passado o escrutínio destes se colocará a questão: sabe bem?

Uma pessoa pode começar devagarinho – lambidela aqui, lambidela ali, uns beijinhos – até chegar ao fellatio propriamente dito. Os problemas surgem quando são requeridos grande velocidade ou períodos prolongados de sucção intensa. Dói o maxilar. Mas dói a sério, como numa prova de esforço. Algumas séries de agachamentos serão mais confortáveis do que alguns fellatios.

Retomando… E quando o maxilar emite estalidos ensurdecedores durante todo o ato, parecendo querer desmontar-se a qualquer instante? Ouch. E aquele momento em que o pénis roça a epiglote e o único resultado possível é um desastroso reflexo de vómito? É que nem todas somos uma Sasha Grey nesta vida; não nos engasgamos com aquela sua elegância e sensualidade.

Por fim, no caso de o fellatio ser um fim em si mesmo, dá-se um aviso “ai, assim venho-me”, e em sequela uma sucessão de ruídos guturais de puro prazer. Na boca cresce um líquido espesso que, de repente, não sabemos que destino dar. Engolir, cuspir, babar, eis a questão.

E porque é que me referi sempre ao broche como fellatio? Não faço a menor ideia. O que sei é que apesar de poder ter algum desconforto associado é uma prática que pode ser muito agradável para ambos os intervenientes se estes comunicarem as suas necessidades. Por favor não executem ou permitam a outrem fazer algo que lhe desagrada. Se não gostarem de sexo oral há tantas outras possibilidades. O prazer não tem que seguir, de todo, um protocolo rígido (Yep, e agora pensei num pénis. Antigamente eu não era assim).