ai_tao_bom_2-18

É possível que já vos tenha acontecido, em contextos vários, dizerem alguma coisa de que se arrependem imediatamente ou, por vezes, até em tempo real. É um pouco como cair de bicicleta ou sofrer um qualquer acidente doméstico. Parece que o evento se processa em câmara lenta e que se ouve uma voz distorcida gritando “NÃAAAAAAO”. Mesmo assim acabamos estatelados no chão ou com um copo entornado na bancada. Nada disto, no entanto, se compara com o constrangimento associado à sensação de ter verbalizado algo descontextualizado na cama ou com a vergonha alheia de ouvir a outrem a produção de expressões com que não nos conseguimos relacionar. Um problema bilateral sem remédio a partir do momento em que abrimos a boca. Não basta cobrir-nos de ridículo como pomos o outro na posição inglória de gerir este momento incómodo (ou viceversa).

É dramático.

Ora vejamos… No outro dia uma amiga contava-me acerca de um encontro sexual que tinha tido com alguém pela primeira vez. Foi algo casual – ou pelo menos passou a sê-lo a partir do momento em que ele utilizou a expressão errada. O indivíduo em questão, num momento de manifesto prazer quando se encontrava sobre ela, emite o seguinte dizer: “Ai tãaaao bommm”. Só que não estava a ser assim tão bom, para ela. Neste momento de disparidade de prazer, restou-lhe apenas adiar o riso até o próximo evento social em que estes assuntos são discutidos – cafés e jantares de meninas. O que é engraçado é que a expressão, em si, nada tem de bizarro mas, naquele momento específico, foi simplesmente desadequada para um dos envolvidos. Resultado: se algum dia esta pessoa for avistada tenho a certeza que o apontarão como “Olha ali vai o Ai-Tão-Bom” e não mais se livrará da alcunha.

Mas esperem, que isto pode ficar tão mais constrangedor.

Lembro-me de alguém que proferiu em pleno fellatio o primeiro “Amo-te” alguma vez pronunciado no contexto daquela relação. Agora imaginem a confusão mental desta pessoa, em plena manobra de sucção e lambuzamento peniano, ao ouvir tamanha confissão – “Hã? Isto não era suposto acontecer num momento de corpos entrecruzados e intensa fixação ocular?” Opções: a) cuspir a pila e responder “Eu também”; b) ir até ao fim, como se nada se tivesse passado, e fugir de cena o mais depressa possível; c) duvidar da veracidade da declaração, atribuindo-a a um devaneio pré-orgástico; c.a) expelir o falo e questionar o interlocutor para que comprove, naquele momento, aquilo a que se propôs; c.b) terminar a tarefa (afinal era para isso que ali estavam) e fazer inquisições a posteriori. Uma coisa é certa, deve ter sido um ótimo broche.

Não vou estender-me mais por hoje mas prometo reunir o Top 10 das expressões mais constrangedoras durante o ato e postar numa outra ocasião. Até lá.