No seguimento de uma visita constrangedora ao fisioterapeuta – que apontou certas posições sexuais como fatores de manutenção de uma lesão reincidente que parte do ísquion – pus-me a pensar que isto do sexo é um pau de dois bicos (que adequado). Fiz algumas investigações, das quais vos apresento os resultados.

Vou poupar-vos às listas das 10 complicações mais comuns, até porque basta escreverem “acidentes durante o sexo” no Google para terem acesso a estas maravilhas. As distensões musculares e as dores de costas lideram as tabelas de danos corporais, o que não era imprevisível. Já quanto a danos materiais camas e cadeiras encabeçam o top, com menções honrosas para copos e canecas. Aparentemente também se danificam paredes, dado algo perturbador, considerando que só abri estuque à martelada ou com um Black & Decker. Estar-me-á a escapar alguma coisa?

Relatos pormenorizados de tragédias na intimidade são também recorrentes na web. A maioria em português do Brasil, como tudo. A descrição de alguém que vomitou em pleno deep throat, deixando parceiro e lençóis numa piscina de fel, foi marcante. Mais ainda para o casal em questão, imagino.

Além das pesquisas online, fiz algumas indagações pessoais sobre o assunto e constatei que, mesmo sem grandes acrobacias, há riscos. Múltiplos. Elaborei, com as experiências vívidas dos meus pares, o meu próprio Top10, do mais frequente ao mais catastrófico desastre sexual:

1)       Distensão muscular. Aparenta ser a lesão mais comum. Portanto já sabem, assim que antevirem o que lá vem sexo, digam “Alto!” e iniciem uma sessão de alongamentos. Não vale menos de 10 segundos para cada músculo.

2)       Dor de costas. Já sabem, nunca descurar a postura. Aconselho a contração dos músculos abdominais para fortalecer o core e assim evitar lesões na lombar. Peitorais para fora e ombros alinhados com a coluna, não vão ficar marrecos. O uso de um espelho para a monitorizar a situação pode também revelar-se útil.

3)       Cãibras no pé. Um clássico. Teimam em aparecer quando o clímax se aproxima, arruinando por completo a possibilidade de uma resolução prazerosa. Solução? Diz que comer bananas ajuda. Tem a ver com o potássio. Por trás de cada ser humano sexuado tem que estar uma alma atlética, estou a ver.

4)       Queimaduras nos joelhos. Dão-se em carros, carpetes, tendas. Uma pessoa não dá nada por eles mas com o roçar repetitivo nestas superfícies a sensação de atrito suave transforma-se em onda de calor localizada e culmina num ardor queixoso, característico do esfolamento da epiderme. Este abrasamento rosa dará origem a um castanho seco no dia seguinte. Evitem materiais plásticos, tenho dito.

5)       Irritação ocular. Devido a esperma no olho, claro está. Ou por fraca pontaria ou devido a um olhar esbugalhado inoportuno. Convém enxaguar de imediato.

6)       Perda de urina. Pois é, acontece. Pode, aliás, dar-se sem que se apercebam. No fim da relação sexual repararão, no entanto, que em vez das habituais manchas de suor e circunscritos depósitos de fluidos, se encontram sob uma ampla poça. Sou completamente a favor dos protetores de colchão ao longo de todo o ciclo de vida.

7)       Vómito. Não conheço ninguém que tenha efetivamente vomitado, mas muitos descreveram idas velocistas aos lavabos, prevenindo o pior, após um felácio menos apreciado. That’s life.

8)       Objeto desaparecido. Este dá-me sempre para rir. Já todos ouvimos a “história da garrafa”, normalmente cunhada a uma qualquer adolescente desgraçada cujo nome será sempre sucedido por “Porca”. Histórias de objetos perdidos na vagina ou ânus são normalmente das preferidas dos meus amigos médicos. Mas nem sempre é necessário recorrer à urgência. Por favor mantenham a calma. Na maioria dos casos se entrou, sai. Calma e pompoarismo, tenho dito.

9)       Prepúcio preso. No aparelho (este é muito adolescente). O resultado possível? Um banho de sangue acompanhado de dor lancinante e grito prolongado e sonoro. Ir ao hospital nestes preparos é que não.

10)   Circuncisão. Esta não ocorre em pleno ato mas sim em resultado deste. Para quem não foi circuncisado em criança há sempre a possibilidade de sofrerem, um dia, uma relação sexual dolorosa por maltratarem o material. Ouch. Para as urgências, diretamente.

E é isto. Voltem sempre.