Archives for the month of: Setembro, 2014

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Espirro.

Sabem aquele momento antes de concretizarem um espirro em que utilizam todo o tipo de estratégias para não o deixar escapar? Tipo olhar para a luz do sol e, em momentos de maior de desespero, fitar incansavelmente lâmpadas de halogéneo a ver se a coisa se dá? (Apesar de isto de encarar o sol de frente ter todo o ar de ser um mito urbano e, diria até, um risco para as vistas mais frágeis). Um orgasmo pode assemelhar-se a isto. Há a antecipação de um momento de prazer – apesar de a expressão facial corresponder mais exatamente à previsão de uma calamidade – e a busca de um subterfúgio que leve aquilo por diante, que normalmente é só continuar a fazer aquele movimento que estava a correr bem, acelerando ou desacelerando à vontade do freguês. Parece fácil, mas às vezes escapa, como os espirros aliás, e é uma maçada. É que em vez do clímax sexual ou do alívio hedónico provocado pela expulsão de muco nasal em micropartículas aéreas, só permanece uma sensação de estranheza e incompletude, como se algo não estivesse como deve ser.

No fundo é tudo uma questão de concentração. Da mesma forma como arreganhamos a face e franzimos, com especial veemência, ao ponto de fecharmos os olhos, as narinas de modo a propulsar um belo espirro, também um orgasmo, quando está a vir (a vir), tem que ser agarrado. Não podemos deixá-lo escapulir-se por entre os dedos. Entre os dedos em sentido metafórico & literal. É necessário agarrá-los (aos espirros e aos orgasmos) com toda a nossa atenção. E em que nos focamos? Na genitália. Só. Todas as sensações espalhadas pelo resto do corpo são uma adição, frequentemente prazerosa e complementar, mas que não pode ser distrativa. Os pensamentos – sobre o que fazer para jantar, o relatório do dia seguinte e as dezenas de e-mails por responder – também não podem interferir. Há que escorraçá-los. Só há espaço para um pensamento/sentimento que pode apenas proliferar na vagina. No clitóris na verdade, mas isso é outra conversa. Pergunto-me se as pessoas com défice de atenção conseguem ter orgasmos.

Talvez esteja a levar esta comparação entre um espirro e um orgasmo demasiado longe. Afinal, o último está a associado a uma motivação humana importante para qual os humanos planificam comportamentos que culminem na sua realização. Já com os espirros não é bem assim. É fixe espirrar mas não imagino aí o pessoal a sair à noite em busca de one night sneezes. Claro que a avaliar pela roupa diminuta com que se sai é bem possível que seja isso mesmo com que nos deparemos (eu sou dessas pessoas frequentemente geladas, a quem faz sempre falta um casaquinho). Até diria mais com saídas à noite até se conseguem multiespirros vejam lá. Não são, no entanto, nem de longe nem de perto, tão divertidos como orgasmos múltiplos.

Será possível espirrar enquanto se tem um orgasmo?? Hum.

E chega de disparates por hoje.

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Deixo-vos um filme muito bonito que George Harvey realizou para a NOWNESS. A performer de pole dance é Sarah Scott. Apreciem:

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Pergunto-me frequentemente se terei conteúdos suficientes para posts semanais. Até passar pela obra aqui ao lado. O conteúdo sexual das verbalizações emitidas pelos trabalhadores é merecedor de referência. Não é que eu ouvi “Já comi pior e a pagar”? O ultraje! A minha vontade foi passear-me por todo o cordão de imóveis em reabilitação prestes a transformar-se em airBnB em torno da baixa lisboeta para repor a minha autoestima. Olha agora “já comi pior”. Estou acostumada a ouvir o elogio às minhas formas, o enaltecimento da minha beleza, a ode ao meu sexappeal e, claro está, a vulga brejeirice dedicada aos meus genitais. Eu e toda a mulher que se passeie. Mulher é talvez uma generalização abusiva porque qualquer criança pré-púbere do sexo feminino já contactou com os dizeres inspirados do obral. Sobre mamas nunca ouvi grande coisa, nunca encheram propriamente o decote, uma pena.

Pergunto-me como se dará o processo criativo. Carrega-se um baldinho de massa, bebericam-se uns golinhos de coca-cola light (quem é que eu estou a enganar?), miram-se umas quantas garinas até aparecer aquela miúda especial que é presenteada com aquele clássico “Não sabia que as flores andavam”. Bom, processo criativo é como quem diz pois há umas boas décadas que não oiço um bom upgrade e protesto! Se é para ser objetificada quero sê-lo pelos meus atributos específicos e não por me incluir na categoria genérica de ser mulher. Vá lá pessoal, é só renovar o repertório. Observem a moça que vai a passar mas com atenção. Uma musa. Uma inspiração. Já pensaram que podem criar novos piropos? Lançar modas? Levar a vossa tendência aos mais recônditos lugares do país? Com treino ainda chegam a copy numa empresa de publicidade. Pensem nisso. Podem fazer diferença neste mundo.

Eu dou uma ajuda. Trato do trabalho de pesquisa. A inspiração é convosco. Agora vamos a um refrescamento dos galanteios arquetípicos da construção civil:

O piroso: “Por acaso não és diabética? É que tens um olhar que é um doce.”

(Matem-me agora)

O engraçadinho: “O cão morde? … E a menina?”

O antecessor é aquele senhor do café que pergunta “queria ou quer?” enquanto um sorriso amarelíssimo nos aflora a face.

O naïve: “Diz-me como te chamas para te pedir ao Pai Natal.”

Por favor.

O romântico: “Estás cansada? … É que passas os dias a andar na minha cabeça.”

É verdade aquela frase de engate que julgaríamos ter ficado para adolescentes a implodir de testosterona continua a ser um hit.

O butt-lover: “Oh boa, com um cu desses deves cagar bombons!”

Não há trolha que se preze que não tenha um fraquinho por nádegas de dimensões generosas. O problema é que também aparentam ter nascido com a boca entre estas. (Estou muito engraçadinha).

O tradicionalista: “Ó joia anda aqui ao ourives.”

Então qual é o problema? Esta é coisa para ter pouco mais de meio século. Nunca sai de moda.

O poeta: “Ó princesa queres vê-la tesa?”

De forma alguma caríssimo príncipe. É que não fiz mal a ninguém.

O engatatão: “Acreditas em amor à primeira vista ou tenho que passar por aqui mais uma vez?”

Não, não tem 14 anos, é ilegal trabalhar com essa idade. Engana bem, hein?

O astrónomo: “O teu pai é ladrão? É que teve de roubar todas as estrelas do céu para te pôr nos olhos.”

Morri de novo.

O astrónomo brega: “Ó estrela queres co-meta?”

Um clássico.

E agora para o grand finale presenteio-vos com uma compilação de agora em diante designada por escalada gastronómica: “Queres açúcar meu torrãozinho? /Queres mel minha abelhinha? / Queres leite minha vaca? / Queres chouriço minha porca? / Queres pixa minha puta?”

Safa, que fiquei sem fôlego.

Fin.

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large-ky-15

Neste dia que parece noite brindo-vos com uma fotografia da série a preto e branco “O Parque” de Kohei Yoshiyuki tiradas nos parques Shinjuku, Yoyogi e Aoyama em Tóquio nos anos 70. O fotógrafo documentou os encontros sexuais de alguns casais nestes parques públicos e aqueles que os observavam, e por vezes se juntavam, a estes encontros.

 Imaginem serem flashados neste momento de intimidade?

 Deixo o link da exposição:

http://www.yossimilogallery.com/artists/kohe_yosh/?show=0&img_num=0

preliminares-03

Ora vejamos, há uma série de práticas – dos beijos ao sexo oral – que, em conjunto, designamos “preliminares”. Toda a gente sabe o que são preliminares. Gostava de escrever um post com piada sobre este tema mas avizinha-se difícil – uma vez que tendo a escrever do ângulo mais anedótico das relações sexuais e, assim de repente, não me vem à memória nenhum aspeto desastroso desta fase do processo. É tão bom. Mas vamos por partes:

  • Ora aí está mais uma expressão que remete para a hipervalorização do prazer sexual masculino. Está bem que os preliminares são necessários e antecedem normalmente o coito penetrativo… Mas podem ser um fim em si mesmos (e que fim). O facto de se designarem “pre” qualquer coisa implica que o sexo passa forçosamente pela penetração – o prazer, por essência, masculino. Isto está a soar muito rebuscado? Há uma feminista em mim impossível de aturar. Prosseguindo…
  • Feminismos à parte os preliminares são muito importantes e, diria até, a melhor parte (quem concorda ponha o dedo no ar). A melhor parte no sentido estrito do prazer, em que as pupilas se dilatam e se dizem as maiores loucuras inebriadas pelo desejo (e os maiores disparates, já se sabe). Claro que aquela cena de olhar olhos nos olhos e da união emocional & física que se implica num momento de inserção fálica é também interessante, mas é outro nível de interessante.
  • Duram o tempo necessário? Ora aí está uma boa questão. Num estudo de (Miller & Byers, 2004) tanto as mulheres como os homens desejariam que os preliminares se alongassem mais. Portanto se querem mais estímulo oral ou digital (os dedinhos) peçam! Até porque, no mesmo estudo, foram as mulheres e não os homens que subestimaram o desejo dos parceiros de se envolverem nos preliminares e no coito. Então, se homens e mulheres querem mais preliminares, venham mais preliminares! É só explicitar o que se quer.
  • O que incluem? Eu diria que, para os mais ortodoxos, a coisa se passa entre os beijos e carícias e/ou pela estimulação direta dos genitais com as mãos e cavidade bucal. Mas o que sei eu? O desejo possui certamente capacidades desinibitórias que potenciam a criatividade sexual e há muito a escapar-me, certamente. Sobretudo se pensar no Japão. Freaks.
  • Quando? Quando quiserem, ora essa. No princípio, no meio ou no fim da atividade sexual, vocês é que decidem. Quem disse que depois da penetração não se recorre aos outros tipos de brincadeira? Não se sintam obrigados a seguir uma sequência velha e chata só porque aparentemente é assim que se faz.
  • Qual o objetivo? O prazer, só. O propósito da atividade não remete apenas para a necessidade de lubrificação. No máximo serve o intento de maximizar o desejo e a excitação e ampliar assim as possibilidades de prazer. Não é para fazer só porque sim. É para ser bom. Se não for experimenta-se outra coisa.

E é tudo por hoje.

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