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Ora vejamos, há uma série de práticas – dos beijos ao sexo oral – que, em conjunto, designamos “preliminares”. Toda a gente sabe o que são preliminares. Gostava de escrever um post com piada sobre este tema mas avizinha-se difícil – uma vez que tendo a escrever do ângulo mais anedótico das relações sexuais e, assim de repente, não me vem à memória nenhum aspeto desastroso desta fase do processo. É tão bom. Mas vamos por partes:

  • Ora aí está mais uma expressão que remete para a hipervalorização do prazer sexual masculino. Está bem que os preliminares são necessários e antecedem normalmente o coito penetrativo… Mas podem ser um fim em si mesmos (e que fim). O facto de se designarem “pre” qualquer coisa implica que o sexo passa forçosamente pela penetração – o prazer, por essência, masculino. Isto está a soar muito rebuscado? Há uma feminista em mim impossível de aturar. Prosseguindo…
  • Feminismos à parte os preliminares são muito importantes e, diria até, a melhor parte (quem concorda ponha o dedo no ar). A melhor parte no sentido estrito do prazer, em que as pupilas se dilatam e se dizem as maiores loucuras inebriadas pelo desejo (e os maiores disparates, já se sabe). Claro que aquela cena de olhar olhos nos olhos e da união emocional & física que se implica num momento de inserção fálica é também interessante, mas é outro nível de interessante.
  • Duram o tempo necessário? Ora aí está uma boa questão. Num estudo de (Miller & Byers, 2004) tanto as mulheres como os homens desejariam que os preliminares se alongassem mais. Portanto se querem mais estímulo oral ou digital (os dedinhos) peçam! Até porque, no mesmo estudo, foram as mulheres e não os homens que subestimaram o desejo dos parceiros de se envolverem nos preliminares e no coito. Então, se homens e mulheres querem mais preliminares, venham mais preliminares! É só explicitar o que se quer.
  • O que incluem? Eu diria que, para os mais ortodoxos, a coisa se passa entre os beijos e carícias e/ou pela estimulação direta dos genitais com as mãos e cavidade bucal. Mas o que sei eu? O desejo possui certamente capacidades desinibitórias que potenciam a criatividade sexual e há muito a escapar-me, certamente. Sobretudo se pensar no Japão. Freaks.
  • Quando? Quando quiserem, ora essa. No princípio, no meio ou no fim da atividade sexual, vocês é que decidem. Quem disse que depois da penetração não se recorre aos outros tipos de brincadeira? Não se sintam obrigados a seguir uma sequência velha e chata só porque aparentemente é assim que se faz.
  • Qual o objetivo? O prazer, só. O propósito da atividade não remete apenas para a necessidade de lubrificação. No máximo serve o intento de maximizar o desejo e a excitação e ampliar assim as possibilidades de prazer. Não é para fazer só porque sim. É para ser bom. Se não for experimenta-se outra coisa.

E é tudo por hoje.