Archives for the month of: Outubro, 2014

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“Batendo Punhetas” é o nome do 2º capítulo do delicioso “O complexo de Portnoy” de Philip Roth. Deixou-me cheia de vontade de escrever sobre a adolescência… Deixo-vos um excerto:

Veio depois a adolescência – metade da minha vida desperta trancado na casa-de-banho, disparando os meus cartuchos para dentro da sanita, ou para cima das roupas do cesto da roupa suja, ou splat, contra o espelho do armário dos medicamentos, diante do qual me postara, arriando as calças, para ver o aspeto da coisa a jorrar cá para fora. Ou então estou curvado sobre o meu punho em movimento, olhos cerrados mas boca bem aberta, para receber na língua e nos dentes o molho viscoso de soro de leite e Clorox – embora não fosse raro, na minha cegueira e no meu êxtase, apanhar com tudo na poupa, como um jorro de Wildroot Cream Oil. E assim vivia num mundo de lenços de pano e papel amarrotados, de pijamas manchados, com o meu pénis vermelho e inchado, no perpétuo pavor de que a minha abjeção fosse descoberta por alguém que me apanhasse no frenesim de alijar a minha carga. Mas mesmo assim era absolutamente incapaz de manter por muito tempo as mãos longe do pirilau quando este começava a trepar-me pela barriga acima”. p.23

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Quando pensam em viagens a Banguecoque na Tailândia o que vos vem imediatamente à cabeça? Deixem de lado os packs de turismo oficiais e pensem nos relatos do viajante típico. Há aquela cena das massagens com os pés, algo bizarro mas estranhamente relaxante (já experimentei em Lisboa), e aquele freak show das bolas de pingue-pongue que algumas tailandesas expulsam com aparente tranquilidade pelo orifício vaginal, certo? Conheço poucas pessoas, de sexo masculino fundamentalmente, que não tenham presenciado (e pago) para assistir a tamanha espetacularidade. Não há dúvidas de que é espetacular. É, na verdade, uma arte milenar. Sim, inserir e atirar objetos pela vagina é uma arte com cerca de 3000 anos e responde ao nome de pompoarismo. Vamos a um resumo histórico célere.

“Pompoar” significa pulsar em Tamil, língua do Sri Lanka e do estado de Tamil Nadu na Índia – e aqui eu já estive! É lindíssimo e aconselho embora tema não oferecer este tipo de shows de talentos. Pompoar é pois a sequência de contrações vaginais que se dão aquando do orgasmo. Pompoarismo é uma prática de fortalecimento dos músculos envolvidos neste processo que possibilita o controlo consciente dos mesmos e assim maximizar o prazer sexual feminino e masculino. Foi desenvolvido por tailandeses, chineses e japoneses com esse intuito e em ligação estreita com a espiritualidade – sim, para alguns povos orientais o sexo era uma prática divina. Para quem treina muito muito, como as senhoras tailandesas supracitadas, é possível também fumar cigarros, cortar bananas às rodelas e arremessar bolas de pingue-pongue para longe. Sim, com a vagina. Não vou chorar aqui pela adulteração das práticas e rituais tradicionais das outras culturas num esforço de comercialização ocidental (ok, estou a chorar um bocadinho) mas sim enaltecer os aspetos positivos desta modalidade “desportiva”.

Sabiam que a estrutura da vagina começa a alterar-se a partir dos 25 anos?! Ou seja, começa a descair como tudo o resto. É dramático. Podíamos pensar “para que é que eu vou tonificar os músculos vaginais se ninguém olha para eles?” Para:

  • Melhoria da flora vaginal, prevenção e cura da incontinência urinária e prolapso uterino;
  • Intensificar a libido, facilitar o orgasmo, aumentar a lubrificação vaginal, auxiliar o tratamento de disfunções sexuais;
  • Auxiliar o trabalho de parto, melhorar a circulação sanguínea e facilitar a cicatrização.

Portanto como veem, só vantagens.

Eu não sou nenhuma especialista em pompoarismo. O pouco que sei aprendi com a Carmo Gê Pereira num workshop. A Carmo é educadora sexual e lança hoje o seu novo site:

http://carmogepereira.com/

Deem uma vista de olhos =)

Outra coisa: as ilustrações da Filipa Pinto voltaram. Esta está absolutamente incrível! ❤ ❤ ❤

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“Eu tinha uma ereção tão a sangue frio que estava convencido de que não seria capaz de me vir. Além disso, interessava-me observar a performance como um espetador. Tirava-o quase todo, passava a ponta à roda das pétalas sedosas e molhadas, enfiava-o de novo e deixava-o ficar como uma rolha. Tinha as duas mãos à volta da sua pélvis, a puxá-la e a empurrá-la como me apetecia. «Faz, faz, ou dou em maluca», suplicou. Convenceu-me. Comecei a trabalhar nela como um êmbolo, fora-e-dentro, dentro-e-fora, a todo o comprimento, sem parar, enquanto ela gemia, Oh… Ah, Oh… Ah! E de súbito, zumba! Esguichei como uma baleia.”

In “Sexus”

Filminho delicioso (já antigo) da série #DefineBeauty da revista Nowness. Muito bonito ❤

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Não sei se o Banksy foi apanhado ou não mas acho que o mais importante a reter é que quem quer que tenha sido preso estava a trabalhar num mural com Fappy, o golfinho anti-masturbação. O nome real de Fappy é Paul Horner, o nome noticiado como respondendo à verdadeira identidade do artista urbano… Muahahaha!

https://www.facebook.com/fappythedolphin/timeline

Eu sei que até escrevi há umas semanas sobre o orgasmo mas foi publicado recentemente um artigo no jornal Sol com o título “Tudo o que pensa sobre o orgasmo feminino está errado”, que já me foi reenviado várias vezes e portanto urge comentá-lo. Não, nem tudo o que pensamos sobre o orgasmo está errado, mas há de facto alguns mitos que continuam a perpetuar-se sobre o assunto, portanto sinto que o meu papel é continuar a descredibilizá-los – nomeadamente que existe um orgasmo que ocorre vagina e outro no clitóris; que há um ponto (g) na parede anterior da vagina capaz de enlouquecer uma mulher de prazer; e que algumas mulheres ejaculam que é um festival. Nop, nada disso. Passo a resumir:

Orgasmo vaginal é coisa que não existe.

Podem respirar de alívio meus caros porque se a vossa companheira não atinge o clímax só com penetração e na ausência de estimulação clitoriana não é por incompetência vossa, é uma questão mecânica. A vagina é um local praticamente insensível – um canal de nascimento – se fosse mais reativa ao que por lá passa os partos seriam o momento mais erótico da vida de uma mulher. (Com efeitos sobre a natalidade). Não é que seja impossível obter orgasmos durante a penetração, até porque algumas posições estimulam diretamente o clitóris – normalmente aquelas em que os corpos estão muito próximos, independentemente de quem está por cima – mas não é por isso que o orgasmo foi vaginal… Foi um orgasmo, somente. São todos causados pelo clitóris, o único órgão do corpo humano desenhado exclusivamente para o prazer.

O g-spot também não.

É verdade. Portanto podem já cessar as buscas. Quer dizer, não se perde nada em manter averiguações na área, mas dificilmente encontrarão este ponto milagroso, cuja localização exata foi apontada em mais do que um local em estudos nunca replicáveis. Sabem o que isto significa, não é? Má ciência. Está bem que o facto de não o encontrarmos não quer dizer que não exista… Semelhante raciocínio aplica-se também aos unicórnios. São tão fofinhos.

A ejaculação feminina tão pouco.

Eu sei, uma desilusão. Mas tanto quanto a comunidade científica pode afirmar neste momento o líquido abundante que algumas mulheres expulsam não difere de lubrificação. Em barda. É portanto uma “emissão”, não uma ejaculação. E não, não tem nada a ver com a estimulação do ponto g – que já referimos não existir.

Talvez os dados comportem alguma deceção mas, por outro lado, talvez minimizem alguma ansiedade com a performance sexual – algo típica entre homens, mas não só. O meu conselho é que deixem de perseguir unicórnios e se concentrem no que se sabe ser prazeroso – o clitóris.

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