Eu sei que até escrevi há umas semanas sobre o orgasmo mas foi publicado recentemente um artigo no jornal Sol com o título “Tudo o que pensa sobre o orgasmo feminino está errado”, que já me foi reenviado várias vezes e portanto urge comentá-lo. Não, nem tudo o que pensamos sobre o orgasmo está errado, mas há de facto alguns mitos que continuam a perpetuar-se sobre o assunto, portanto sinto que o meu papel é continuar a descredibilizá-los – nomeadamente que existe um orgasmo que ocorre vagina e outro no clitóris; que há um ponto (g) na parede anterior da vagina capaz de enlouquecer uma mulher de prazer; e que algumas mulheres ejaculam que é um festival. Nop, nada disso. Passo a resumir:

Orgasmo vaginal é coisa que não existe.

Podem respirar de alívio meus caros porque se a vossa companheira não atinge o clímax só com penetração e na ausência de estimulação clitoriana não é por incompetência vossa, é uma questão mecânica. A vagina é um local praticamente insensível – um canal de nascimento – se fosse mais reativa ao que por lá passa os partos seriam o momento mais erótico da vida de uma mulher. (Com efeitos sobre a natalidade). Não é que seja impossível obter orgasmos durante a penetração, até porque algumas posições estimulam diretamente o clitóris – normalmente aquelas em que os corpos estão muito próximos, independentemente de quem está por cima – mas não é por isso que o orgasmo foi vaginal… Foi um orgasmo, somente. São todos causados pelo clitóris, o único órgão do corpo humano desenhado exclusivamente para o prazer.

O g-spot também não.

É verdade. Portanto podem já cessar as buscas. Quer dizer, não se perde nada em manter averiguações na área, mas dificilmente encontrarão este ponto milagroso, cuja localização exata foi apontada em mais do que um local em estudos nunca replicáveis. Sabem o que isto significa, não é? Má ciência. Está bem que o facto de não o encontrarmos não quer dizer que não exista… Semelhante raciocínio aplica-se também aos unicórnios. São tão fofinhos.

A ejaculação feminina tão pouco.

Eu sei, uma desilusão. Mas tanto quanto a comunidade científica pode afirmar neste momento o líquido abundante que algumas mulheres expulsam não difere de lubrificação. Em barda. É portanto uma “emissão”, não uma ejaculação. E não, não tem nada a ver com a estimulação do ponto g – que já referimos não existir.

Talvez os dados comportem alguma deceção mas, por outro lado, talvez minimizem alguma ansiedade com a performance sexual – algo típica entre homens, mas não só. O meu conselho é que deixem de perseguir unicórnios e se concentrem no que se sabe ser prazeroso – o clitóris.