Archives for the month of: Novembro, 2014

❤ Ilustrações de André da Loba do livro “Obscénica”, de textos eróticos e grotescos, de Hilda Hilst ❤

Ou chocolate, ou outra coisa qualquer. O importante a reter é que transforma o aroma da flatulência em algo agradável.

Foi Christian Poincheval, um francês que poderia perfeitamente ser natural do Pólo Norte, que inventou este comprimido 100% natural (independentemente do isso signifique) após uma profícua pesquisa em laboratório. Os componentes são simples, desde o carvão vegetal à própolis, e o resultado: puns cheirosos para humanos ou cães!

Deixo-vos o site oficial, caso queiram fazer uma encomenda pelo Natal ou, simplesmente, melhorar a vossa atmosfera social:

http://www.pilulepet.com/en/

 E porque estou eu a falar de puns? Tem a ver com o próximo post.

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Publiquei hoje o meu primeiro artigo numa revista brasileira, a Obvious ❤

Deixo o link e o texto publicado, uma versão mais intelectual (e abrasileirada) de um artigo que tinha postado aqui.

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Durante a atividade sexual a maioria dos casais heterossexuais tende a seguir um roteiro. Normalmente um dos elementos inicia comportamentos como acariciar ou beijar que, no caso de percepcionar disponibilidade sexual do outro, são sucedidos por atos progressivamente mais erotizados até à estimulação oral ou digital dos genitais. Dá-se então início à penetração e, eventualmente, aos orgasmos feminino e masculino. Refiro-me às fases da resposta sexual de desejo, excitação, orgasmo, patenteadas no modelo de Helen Kaplan (1974, 1979), uma evolução do de Masters e Johnson (1966, 1970). Menciono este modelo e não outro por este ser aquele que se encontra na base da categorização das disfunções sexuais dos manuais de diagnóstico americanos e europeus. Apesar de esta sucessão de fases da resposta sexual ser frequentemente discutível resume o que é tido como expectável, isto é, que a atividade sexual cessa quando o homem ejacula e que a ejaculação é o desfecho natural de uma transa. Leia o resto deste artigo »

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Carolina V. Marsden é uma artista e designer gráfica que trabalha com bordado. Começou a bordar em criança, uma atividade que lhe permitia refletir e simultaneamente distanciá-la dos seus problemas. Crê que as mulheres eram ocupadas destes trabalhos para não se aperceberem que as questões públicas lhes estavam vedadas. Nos anos 70 algumas artistas apropriam-se destas competências vitorianas apontando os valores patriarcais de que arte (e sociedade) estão imbuídas. A sua obra procura mostrar momentos do seu próprio poder nas relações modernas. “Eu gozo com os avanços sexuais desajeitados dos homens e redesenho o futuro idílico do casamento representado em muitos bordados Vitorianos”, explica.

embroidery_sampler 2011 Leia o resto deste artigo »

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Aos 8 anos perguntei à minha mãe como se faziam os bebés. Nesse momento o meu pai passava pelo corredor e continuou a sua viagem, falsificando um olhar distraído. Não me lembro, mas devo ter deixado a minha mãe numa sucessão de vocalizações onomatopaicas do género “Hum, Err, Pois, Hum”. Nessa altura os meus pais resolveram comprar-me um livro, a “Educação Sexual dos 8-9”. Lá o li, porque tinha um trabalho sobre o assunto para entregar na escola, mas acho que a certa altura voltei a questionar a minha mãe “Afinal como é que é?!” Já o meu irmão nunca colocou os nossos pais em tamanha aflição. Sempre foi um rapaz esperto.

Ainda me lembro da textura escorregadia do latex enquanto um líquido aguadilhado mas unguinoso se espalhava nos meus dedos numa sensação simultaneamente quente e fria. E daquele cheiro, que parecia ficar connosco entre lavagens. Tinha 11 anos. Não sei como seria nas outras escolas mas eu orgulho-me de ter tido educação sexual uma vez por ano desde então. Era muito giro. Falávamos do período, aprendíamos a colocar preservativos e até podíamos fazer perguntas à Sr.ª Enfermeira que vinha de propósito do Centro de Saúde de Carnaxide. No momento em que me aparecesse uma pila sabia que tinha de lhe enfiar aquela espécie de balão de água untoso, apertando a pontinha e desenrolando devagarinho e nunca, NUNCA, rasgar o invólucro com os dentes, sob pena de ter girinos a fazer-me bebés. Também me lembro do insight tardio, da média adolescência, acerca do sabor a morango ou a chocolate daqueles preservativos que esbanjavam as Juventudes Partidárias nas listas das AEs no período de eleições. Estou a brincar, não nos davam preservativos de sabores, apesar de no outro dia ter encontrado um desses presidentes da secundária perto do Parlamento. Deve ser deputado. Se as ofertas soubessem a baunilha já era de Presidente da Câmara para cima, de certeza.

Voltando à minha aula sexualmente educativa anual. Não proporcionou conhecimentos ao nível da resposta sexual ou tão pouco das práticas possíveis (felizmente havia o Canal 18), por se tratar de matéria de “educação sexual e reprodutiva”, sendo que claramente se olvidaram da primeira parte. Pronto, pronto, é verdade que me ensinaram da SIDA. Portanto aprendi sobre a menstruação, o preservativo e sobre o vírus HIV. Podia ter sido pior mas também podia ter sido educação sexual.

Os filmes foram importantes. A primeira vez que visualizei um estava sozinha em casa de uma amiga. Ainda estava na escola primária. Ela desencantou um filme do pai e quis mostrar-me. Lembro-me muito bem de me perguntar “quando vês um filme e as pessoas se estão a beijar ou a despir não sentes o pipi apertadinho ou uma espécie cócegas?” “sinto, sim”, teria respondido hoje. Recordo-me de tão pouco desses tempos mas lembro-me disto como se fosse ontem. E do entusiasmo do Canal 18. Era frequentemente o tema de conversa matinal entre os rapazes. Já eu, rapariga, tinha uma desautorização tácita de me reportar a estas coisas nojentas dos rapazes. Mas lembro-me de ver uma senhora a fazer xixi enquanto alguém lhe enfiava as mãos. Achei muito estranho, mas não fiz perguntas.

Não tenho dúvidas que foi com os meus amigos rapazes que aprendi mais acerca de sexo e de afetos na adolescência. Nas colónias de férias, em que os monitores também uniam esforços como educadores sexuais, ou nos fins de semana que passávamos em casa uns dos outros. Obrigada por me contarem das vossas paixões, fantasias e punhetas, sem elas a minha identidade sexualizada seria certamente outra coisa qualquer. Tenho pena de só vos ter contado dos meus amores platónicos. Talvez os nossos filhos façam diferente ou talvez as filhas continuem somente a escutar com muitos ouvidos (ainda não percebi bem para onde vamos).

Tenho que agradecer aos meus pais, que nunca fizeram distinção entre as minhas dormidas em casa de rapazes ou raparigas. E lembro-me tão bem dos medos dos outros pais… Pénis, sexo, gravidez, “dormir com rapazes nem pensar”. Posso nunca ter falado acerca de sexo abertamente com os meus mas suponho que o facto de permitirem que passasse férias com seres demoníacos cheios de esperma transmitiu-me a noção implícita que a intimidade e sexo não são coisas monstruosas. Nunca dei sequer beijinhos aos meus amigos, limitei-me a conversar pela noite dentro e adormecer perto deles. E quando o primeiro namorado dormiu lá em casa, aos 21, nem se pôs a hipótese de dormirmos em quartos separados. Quão hipócrita e anedótico seria? Suponho que educar, a certa altura, seja isso mesmo, autonomizar em segurança: fazer figas, fechar os olhos e esperar que corra tudo bem.

Podia também falar dos principais responsáveis pela minha deseducação sexual e do lixo que impõem às rapariguinhas, as Super Pop, Ragazzas e, mais tarde, a porcaria da Cosmopolitan – ou não. Outro post.

Até sempre.

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Se o Cristiano Ronaldo fosse gay as trocas fluídicas bucais entre dois machos não mereceriam a atenção do observador como se se tratassem de um fenómeno de acasalamento da BBC Vida Selvagem. Narrado em português do Brasil ou, melhor ainda, por aquele senhor de voz familiar que nos contava dos animais enquanto a TVI passava a Eucaristia Dominical. E olhem que eu vivo no epicentro gay lisboeta – bear, mais especificamente, pelo que beber um copo na vizinhança implica a experiência singular de me sentar entre primos e clones do Joaquim Albergaria dos PAUS. Menos hetero e com barbas menos cool, claro está. Ainda assim, quando vislumbro manifestações sexuais-afetivas entre elementos do mesmo sexo sinto que presencio um momento especial.

Porque é que meti o Super-Ronaldo ao barulho? Passo a explicar. Do início:

Tive recentemente em vista uma colaboração televisiva para uma rubrica que visava abordar as conexões entre sexo e futebol (juro). Pois parece que não foi em frente (I wonder?) mas obrigou-me a refletir sobre possíveis conteúdos. Com intentos de estabelecer ligações entre golear e ter orgasmos, visão de jogo e precocidade, e outras relações não menos fracas e desinteressantes, ocorreu-me que não há futebolistas homossexuais. Ainda mais curioso é o facto de todas as mulheres futebolistas serem lésbicas. Ele há coisas do diabo. Agora imaginemos que em campo se repercutia a proporção gay/bissexual observada na população geral (1/10). Concebamos que um jogador por plantel se sente sexualmente atraído por pessoas do mesmo sexo. Conjeturemos ainda que esse jogador estaria disposto a envergar equipamento dry-fit com as cores do arco-íris. Suponhamos que estamos a falar do Cristiano Ronaldo e exercitemos a nossa matéria cinzenta ao indagar o impacto social desta revelação. Em versão soneto:

Se Cristiano fosse homossexual
Encarniçadas faces de friccionar
P’ra lá das Flores e do Príncipe Real
(Barbas) surgiriam a multiplicar

Não fosse Irina dos olhos doces
A loucura, o mundo ao contrário
Pensar um Ronaldo de poucas posses
E imaginar um milhão fora do armário

Se o melhor do mundo fosse gay
Acolher catraios seria lei
Onde é que iriamos parar?

Messi, Ronaldo entrelaçando mãos
(Sem qualquer jeito de irmãos)
E a sociedade a ulular

Estou prestes a ganhar um poetry slam. Ou a ver isto tornado um hit musical, de certeza.

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