Há dias em que simplesmente não produzo. Transmuto-me numa esponja viciada em scroll, capaz de navegar nos mais improfícuos tabloides. Nunca pensei aqui chegar. Em minha defesa procurava algo que suscitasse um novo artigo mas, desinspirada pela sociedade sensacionalista, cedi à tentação:

Escrevi “sexo” no motor de pesquisa (no meu caso o Chrome, no caso de se terem perguntado). Lembrem-se que me encontrava num daqueles dias em que o meu semblante expressava apenas que eu pagava para viver. Estava desesperada por um ímpeto criativo e, talvez (“talvez”), com o humor ligeiramente deprimido. A precariedade tem-me dado para isto. Mas quem não se anima com o sexo? (Além dos assexuais).

Passo então aos resultados da pesquisa, uma panóplia pouco diversificada de sites entre o “informativo” e o consumível:

A wikipédia, obviamente. Falam dos gâmetas e da diferenciação sexual bla-bla-bla boring.

O site Terra parece ser uma revista brasileira com um diretório sobre sexo. Aprendem-se coisas relevantes como “Saiba como é a rapidinha de cada signo”, os resultados do “Duelo de bumbuns: São Paulo vs Rio”, e, não menos importante, quem são “As casadas mais cobiçadas”. Além de um infindável número de dicas sobre como proceder a sexo oral, anal, a três, etc. Os sites de dicas, brasileiros ou espanhóis, são, na verdade, aqueles que mais ressaltam à vista: “9 dicas para fazer um sexo oral mais gosto nela”, “posturas sexuales kamasutra” ou a “esquente o clima – posição sexual do dia”.

Uma menção honrosa para o site brasileiro Casal sem Vergonha que, apesar de perpetuar alguns estereótipos (quem não o faz?), tem artigos muito bons. A minha secção preferida é a “Casal Recomenda”, em que vão aparecendo algumas referências sexuais engraçadas.

E há, claro, os sites interativos – os meus preferidos. A oferta de jogos eróticos é interessante. Apesar de os jogos padecerem dos mesmos problemas da pornografia no geral – são orientados para os homens e privilegiam certo tipo de práticas – não deixei de me divertir com a “Britney de 4”, que permite escolher a velocidade e orifício de inserção peniana, a “Estudante tarada”, disposta a tudo para ver o seu “F” transformado em “A”, ou a “Gata turbinada”, perita em espanholadas. Despeço-me com uma referência às salas de chat, cujos utilizadores assumem nicknames clichê capazes de proporcionar uma inegável elevação do humor. Cito o kasado_pausudo que afirma “tou na cam com o pau na mão, qr ver??” ou a Taty_Sexy que “tou na webcam agora mas não acho ninguém para brincar, venha-me deixar doidinha”. Também há o pelado_no_escritório, rolagrossa, bombeiro_militar, morena_qr, MÉDICOquerTETUDA, etc., etc.

Pergunto-me o que aparece nos motores de busca dos outros.