Archives for the month of: Dezembro, 2014

“És mulher, és casada, obrigada à obrigação”. Eu não:
Não vou lamentar nem vou cumprir uma predestinação.
Não vou. Não vou fazer amor se quiser fazer sexo
E não vou fazer sexo sem querer, sem prazer
Só porque tem que ser.
Não vou ter medo.

De ser sensual ou de amamentar o pecado original.
Não sou cuidadora, não sou pecadora, não quero mal.
Mas nem casadeira nem sextoy de cabeceira,
Prefiro ser primeira. Prefiro ser eu.

Não é Não e Sim é sem culpa, sem vergonha, sem pudor.
É sem aquela herança apodrecida de um útero inferior.

Que não é a minha

Que sou mulher, sou sexo e sou amor.

Clodomiro, uma marca italiana, é um negócio de família. Gerido por pai e filha Zagnoli conta com pratos e t-shirts ilustrados e com um lenço de seda.
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É dia 26 e ainda não comprei as prendas todas (este ano festejo hoje, vicissitudes de ter um irmão emigrado). Além disso é 5ª feira e eu tinha prometido escrever todas as segundas. Bad girl. Mas somos todos uns maus meninos e merecemos todos ir ao castigo. Afinal este é o verdadeiro espírito natalício, certo? Horas de compras intermináveis, ataques cardíacos por consultar extratos bancários, filas para pagar, filas para andar, filas na ponte. O castigo é tão grande que sentimos que merecemos entupir-nos de colesterol natalício. Não há problema porque para o ano vamos iniciar séries de 100 abdominais bidiárias e trocar os hidratos do jantar por salutares vegetais sensaborões esperando perder aqueles quilos que estão a mais desde o ano 2000.

Mas isto era um post sobre BDSM, não era? Suponho que estejam familiarizados com o B – Bondage, D – Discipline e/ou Dominance, S – Sadism e M – Masochism. Há muito tempo que ando para escrever sobre isto. Não só vou recolhendo uma quantidade razoável de interessantes fotografias alusivas ao tema como atentei à nova lei britânica R18, que proíbe uma série de práticas BDSM, entre outras. Não temam, só se reporta à pornografia realizada e vendida no Reino Unido, qualquer pessoa pode continuar a consumir o que quiser – necessita apenas de procurar outra fonte. Não deixa de ser interessante que criminalizem a produção artística destas práticas sexuais um ano depois das mesmas deixarem de constar nos manuais americanos de diagnóstico como perturbações mentais. Sim, caso tenham fantasias de submissão e/ou dominação deixaram de ser patológicos desde Maio 2013. Isto, claro, se estiverem numa relação segura e consentida. Não queria ressaltar o óbvio mas nem sempre o óbvio é assim tão óbvio.

Mas porquê um post sobre BDSM nesta época festiva? Porque desde a intervenção da Coca-Cola que o Natal é vermelho e vermelho é BDSM. Isso, máscaras venezianas e meias de rede. Desde que se verificou a proliferação de sex shops de gosto duvidoso (ou foram sempre assim?) que parecem fazer-nos crer que se não usarmos vinil vermelho colante não somos adequadamente sensuais. Tenho que protestar. A sexualidade não veste somente de preto renda e vermelho vinil, veste frequentemente aquelas cuecas da Primark que já perderam o elástico e que irão descoser-se até à sua irradicação. A sensualidade também é isto.

Não tenho nada contra o BDSM. Acredito que cada um deve viver o sexo como desejar, desde que não interfira com a integridade do próximo (ou com a sua). Umas práticas submissas ou dominadoras nunca fizeram mal a ninguém. Claro que quando é uma preferência muito muito rígida eu tendo a desconfiar. O que fazer? Sou psicóloga. Sou é contra sex shops foleiras.

Este post, na verdade, não é sobre nada. Encarem-no como o início de qualquer coisa, que eu vou ali empanturrar-me pela enésima vez. Talvez receba lingerie vermelha natalícia sado-maso, quem sabe. Mas considerando que vivo um natal familiar é mais provável que receba meias grossas ou um pijama de auto-ajuda. Devo ser um caso desesperado porque o meu do ano passado dizia “Keep trying/ Don’t get discouraged/ Everything will work out“. Espero que o deste ano seja quentinho porque o quarto da casa nova é virado a Norte.

(Mãe não fiques zangada comigo por escarnecer fingidamente dos teus pijamas. Não fosses tu e continuaria a usar pijamas de flanela como os da Ally McBeal. Btw, se algum dia encontrares um igualzinho aquele de nuvens que ela tinha por favor oferta-me!).

Dói, um tapinha não dói.

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Em que é que o sexo em período de lazer difere do sexo pós-laboral? Isto assumindo que a maioria dos que me leem não são nem trabalhadorxs sexuais nem utilizam as casas de banho corporativas com esse intuito, pois nesse caso seria sexo laboral.

Descobri recentemente que as casas de banho das empresas são um local muito aprazível para os seus trabalhadores. A maioria frequentam-nas com o propósito que lhes é destinado, o alívio. Contudo, há outras necessidades que são supridas dentro destes compartimentos – o update das redes sociais, aquela sesta que não podemos efetuar tombados no teclado ou até a masturbação (como estratégia de gestão de stress). Acho que visualizar o Pronto a Despir sentado no tampo da sanita também não é má ideia, considerando que “publico demasiadas mamas”, dizem os meus amigos. “Parece mal”. Tristezas do fado empresarial.

Mas voltando à premissa inicial. O sexo ao fim de semana. Há muitos casais que referem ter mais atividade sexual neste período. Afirmam encontrar-se mais disponíveis, menos cansados, mais relaxados – tudo facilitadores da fruição do ato sexual, sem dúvida. Quem diz ao fim de semana diz qualquer outra convenção implícita que exista entre o casal, sendo que a mais comum é que “o sexo se realiza à noite, na cama, antes de dormir”. Há razões práticas para que a maioria dos casais tenha estabelecido estas regras – horários diurnos, trabalho para casa e, frequentemente, filhos. Factos que, apesar de não beneficiarem a espontaneidade, não acarretam necessariamente problemas. Os problemas começam quando um dos elementos se mostra mais indisponível para o sexo do que o outro. Quando está mais vezes “cansado”, “com sono” ou “atarefado”.

Assim, devido ao “cansaço”, estipulou-se que o sexo ocorre ao fim de semana, ou numa outra qualquer circunstância mais ou menos arbitrária, e alguém se safa da malfadada relação durante os 5 dias úteis, enquanto o outro (des)espera ansiosamente por que terminem. Isto até seria um bom sistema se uma semana de paz e tranquilidade assexual despertassem a disponibilidade, o desejo ou a excitação, mas não – pelo menos não naquele cuja pausa de atividade coitais visava aliviar. Quando se avizinha finalmente o fim de semana e é o “Ai, ai que agora vou ter que fazer”. Resultado: estabelece-se um padrão de evitamento das relações, normalmente por parte de um dos elementos, que é exacerbada pelo outro, cujo desejo de ter relações sexuais vai escalando e pressionando o outro que, por sua vez, ainda vai procurar evitá-las com mais afinco. E como é que sai desta?

Eu diria que, na maioria dos casos, seria importante olhar para a relação de fora e sobretudo para si mesmo, e perceber que papel se está a desempenhar na manutenção deste padrão. No caso de se andarem a esquivar ao sexo talvez devessem tentar perceber porquê. Porque estão insatisfeitos com a relação? Com a vida? Porque o sexo deixou de ser satisfatório? É que mesmo que consigam adiar ou minimizar os contactos sexuais não extinguem a vossa preocupação com sexo. Eventualmente vão ter que se confrontar com ele, mesmo que seja para o negar. Se estiverem do outro lado também têm que estar atentos e refletir em como as vossas ações contribuem para o problema. Mesmo que tenham deixado ao cargo do outro decidir como e quando têm relações sexuais se este, apesar de ter estabelecido as regras, não as desejar, então talvez seja má ideia insistir. Mas esta é uma questão muito complexa, que por vezes necessita mesmo de intervenção terapêutica.

Se julgam que o desejo diminuído é um sintoma estritamente feminino estão muito enganados. Aparecem cada vez mais homens na prática clínica com queixas deste género apesar de ser, efetivamente, mais frequente entre as mulheres.

Se, de facto, é ao fim de semana que ambos se sentem mais livres para se renderem aos prazeres da carne, go for it. Se fazer sexo puser em causa a vossa liberdade ou a do outro talvez beneficiassem de algumas reformulações. Ambos.

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Apresento-vos, caso não vos tenha sido já apresentado, Harry Peccinotti – um fotógrafo conhecido pelo seu trabalho de cariz erótico, reconhecido pela Pirreli nos calendários de 1968 e 1969. Aqueles calendários frequentemente observados nas oficinas dos mecânicos (que eu tomei contacto no escritório do meu avô, que era contabilista mas que desenvolveu uma predileção por calendários com mulheres nuas depois da minha avó morrer). Os da Pirelli são dos bons, com gosto impecável, são só editoriais de moda particularmente sexy.

As suas fotografias são normalmente planos das sensuais formas e faces femininas, sem remeter para a pornografia explícita. Deixo-vos algumas fotografias e links em que encontram o seu trabalho Leia o resto deste artigo »

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Intimidade. Considerações gerais.

Os níveis de intimidade evoluem. Inicialmente o simples facto ruidoso do embate da urina nas paredes de loiça sanitária parece uma catástrofe que tentamos evitar soterrando a mesma de papel higiénico, experimentando danças desequilibradas em busca daquele local específico em que cada sanita permite escorrimento ao invés de soar em jato, ou procurando separar o xixi em vários xixizes sumidos e muito pouco satisfatórios. Felizmente isto passa. Por favor, toda a gente precisa de esvaziar a bexiga. Mas, em todo o caso, eu cá por mim bania as suites.

Depois do primeiro xixi vem o primeiro acordar, se é que dormiram efetivamente. Para pessoas como eu, com necessidades muito especiais ao nível da luminosidade, temperatura e lado da cama, no máximo percorreram hiperativamente sonhos desconexos em que a consciência corporal de se encontrarem numa cama estranha, com uma pessoa díspar, nunca vos abandonou. Depois “acordam” e se forem do estilo amoroso dão beijinhos. Beijinhos! Nesse momento já anteviram a situação e expulsaram hálito matinal de encontro às palmas das mãos para constatar o triste facto que não emanam vapor de água fofo e sim o resultado de um ecossistema pestilento que marinou durante toda a noite. Se foram céleres o suficiente provavelmente conseguiram escapulir-se para esfregar pasta de dentes do parceiro/a e bochechar, fingindo que aquele forte gosto mentolado é a vossa fragrância natural. Talvez até o tenham feito ambos, prevendo práticas matinais, dando início à beijaria como se não reparassem na bizarria que é ter a boca fresca debaixo de lençóis às 8h da manhã.

Mas as desatenções multiplicam-se, como aquele primeiro pum que vos traz das profundezas da sonolência para a realidade crua do silêncio ensurdecedor que é o de tentar averiguar se todos os envolvidos despertaram ou se apenas o emissor de gás. Qualquer alteração respiratória conta. A tensão instala-se, esperam-se movimentos delatores de reconhecimento da emissão cheirosa e o cérebro grita um quase audível “Merrrrrrrrrda! Porquê?” (já lá vamos também). Se tudo correr bem os implicados fingirão não dar pela ocorrência e, brevemente, aperceber-se-ão da diversidade de vocabulário existente à disposição para designar a flatulência humana – pum, peido, bufinha ou outro qualquer nome queriduxo –, adotando uma expressão que aprouver a ambos ou continuando a ignorar incidentes semelhantes.

E há um nível acima, o derradeiro. Cocó. Não há como negar que este é um aspeto importante da vida a dois. Da vida de qualquer um, aliás, mas, por razões diversas, até se dar o seu reconhecimento como atividade mundana o casal passa por um processo de dessensibilização sistemática (em que são efetuadas aproximações sucessivas ao ato de evacuar até este ser finalmente aceite). O processo pode ser muito célere ou muito moroso. Alguns, mais despreocupados, conferirão ao ato de defecar exatamente o estatuto de banalidade que merece – “that’s life”, pensam. Outros comportar-se-ão como se fosse um ato sagrado que deve desenvolver-se em total privacidade e com desconhecimento do parceiro, sobretudo quando se trata de uma mulher – toda a gente sabe que as mulheres não fazem cocó. Conheço também um caso que foi lá pela terapia de choque que foi mais ou menos assim: “Quê, vais cagar?! Olha aí que estou a tomar banho!” / “Por isso mesmo, assim não vais a lado e vais-te já habituando”.

Voltarei às maravilhas da vida a dois em breve.

Fiquem bem.