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Em que é que o sexo em período de lazer difere do sexo pós-laboral? Isto assumindo que a maioria dos que me leem não são nem trabalhadorxs sexuais nem utilizam as casas de banho corporativas com esse intuito, pois nesse caso seria sexo laboral.

Descobri recentemente que as casas de banho das empresas são um local muito aprazível para os seus trabalhadores. A maioria frequentam-nas com o propósito que lhes é destinado, o alívio. Contudo, há outras necessidades que são supridas dentro destes compartimentos – o update das redes sociais, aquela sesta que não podemos efetuar tombados no teclado ou até a masturbação (como estratégia de gestão de stress). Acho que visualizar o Pronto a Despir sentado no tampo da sanita também não é má ideia, considerando que “publico demasiadas mamas”, dizem os meus amigos. “Parece mal”. Tristezas do fado empresarial.

Mas voltando à premissa inicial. O sexo ao fim de semana. Há muitos casais que referem ter mais atividade sexual neste período. Afirmam encontrar-se mais disponíveis, menos cansados, mais relaxados – tudo facilitadores da fruição do ato sexual, sem dúvida. Quem diz ao fim de semana diz qualquer outra convenção implícita que exista entre o casal, sendo que a mais comum é que “o sexo se realiza à noite, na cama, antes de dormir”. Há razões práticas para que a maioria dos casais tenha estabelecido estas regras – horários diurnos, trabalho para casa e, frequentemente, filhos. Factos que, apesar de não beneficiarem a espontaneidade, não acarretam necessariamente problemas. Os problemas começam quando um dos elementos se mostra mais indisponível para o sexo do que o outro. Quando está mais vezes “cansado”, “com sono” ou “atarefado”.

Assim, devido ao “cansaço”, estipulou-se que o sexo ocorre ao fim de semana, ou numa outra qualquer circunstância mais ou menos arbitrária, e alguém se safa da malfadada relação durante os 5 dias úteis, enquanto o outro (des)espera ansiosamente por que terminem. Isto até seria um bom sistema se uma semana de paz e tranquilidade assexual despertassem a disponibilidade, o desejo ou a excitação, mas não – pelo menos não naquele cuja pausa de atividade coitais visava aliviar. Quando se avizinha finalmente o fim de semana e é o “Ai, ai que agora vou ter que fazer”. Resultado: estabelece-se um padrão de evitamento das relações, normalmente por parte de um dos elementos, que é exacerbada pelo outro, cujo desejo de ter relações sexuais vai escalando e pressionando o outro que, por sua vez, ainda vai procurar evitá-las com mais afinco. E como é que sai desta?

Eu diria que, na maioria dos casos, seria importante olhar para a relação de fora e sobretudo para si mesmo, e perceber que papel se está a desempenhar na manutenção deste padrão. No caso de se andarem a esquivar ao sexo talvez devessem tentar perceber porquê. Porque estão insatisfeitos com a relação? Com a vida? Porque o sexo deixou de ser satisfatório? É que mesmo que consigam adiar ou minimizar os contactos sexuais não extinguem a vossa preocupação com sexo. Eventualmente vão ter que se confrontar com ele, mesmo que seja para o negar. Se estiverem do outro lado também têm que estar atentos e refletir em como as vossas ações contribuem para o problema. Mesmo que tenham deixado ao cargo do outro decidir como e quando têm relações sexuais se este, apesar de ter estabelecido as regras, não as desejar, então talvez seja má ideia insistir. Mas esta é uma questão muito complexa, que por vezes necessita mesmo de intervenção terapêutica.

Se julgam que o desejo diminuído é um sintoma estritamente feminino estão muito enganados. Aparecem cada vez mais homens na prática clínica com queixas deste género apesar de ser, efetivamente, mais frequente entre as mulheres.

Se, de facto, é ao fim de semana que ambos se sentem mais livres para se renderem aos prazeres da carne, go for it. Se fazer sexo puser em causa a vossa liberdade ou a do outro talvez beneficiassem de algumas reformulações. Ambos.