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É dia 26 e ainda não comprei as prendas todas (este ano festejo hoje, vicissitudes de ter um irmão emigrado). Além disso é 5ª feira e eu tinha prometido escrever todas as segundas. Bad girl. Mas somos todos uns maus meninos e merecemos todos ir ao castigo. Afinal este é o verdadeiro espírito natalício, certo? Horas de compras intermináveis, ataques cardíacos por consultar extratos bancários, filas para pagar, filas para andar, filas na ponte. O castigo é tão grande que sentimos que merecemos entupir-nos de colesterol natalício. Não há problema porque para o ano vamos iniciar séries de 100 abdominais bidiárias e trocar os hidratos do jantar por salutares vegetais sensaborões esperando perder aqueles quilos que estão a mais desde o ano 2000.

Mas isto era um post sobre BDSM, não era? Suponho que estejam familiarizados com o B – Bondage, D – Discipline e/ou Dominance, S – Sadism e M – Masochism. Há muito tempo que ando para escrever sobre isto. Não só vou recolhendo uma quantidade razoável de interessantes fotografias alusivas ao tema como atentei à nova lei britânica R18, que proíbe uma série de práticas BDSM, entre outras. Não temam, só se reporta à pornografia realizada e vendida no Reino Unido, qualquer pessoa pode continuar a consumir o que quiser – necessita apenas de procurar outra fonte. Não deixa de ser interessante que criminalizem a produção artística destas práticas sexuais um ano depois das mesmas deixarem de constar nos manuais americanos de diagnóstico como perturbações mentais. Sim, caso tenham fantasias de submissão e/ou dominação deixaram de ser patológicos desde Maio 2013. Isto, claro, se estiverem numa relação segura e consentida. Não queria ressaltar o óbvio mas nem sempre o óbvio é assim tão óbvio.

Mas porquê um post sobre BDSM nesta época festiva? Porque desde a intervenção da Coca-Cola que o Natal é vermelho e vermelho é BDSM. Isso, máscaras venezianas e meias de rede. Desde que se verificou a proliferação de sex shops de gosto duvidoso (ou foram sempre assim?) que parecem fazer-nos crer que se não usarmos vinil vermelho colante não somos adequadamente sensuais. Tenho que protestar. A sexualidade não veste somente de preto renda e vermelho vinil, veste frequentemente aquelas cuecas da Primark que já perderam o elástico e que irão descoser-se até à sua irradicação. A sensualidade também é isto.

Não tenho nada contra o BDSM. Acredito que cada um deve viver o sexo como desejar, desde que não interfira com a integridade do próximo (ou com a sua). Umas práticas submissas ou dominadoras nunca fizeram mal a ninguém. Claro que quando é uma preferência muito muito rígida eu tendo a desconfiar. O que fazer? Sou psicóloga. Sou é contra sex shops foleiras.

Este post, na verdade, não é sobre nada. Encarem-no como o início de qualquer coisa, que eu vou ali empanturrar-me pela enésima vez. Talvez receba lingerie vermelha natalícia sado-maso, quem sabe. Mas considerando que vivo um natal familiar é mais provável que receba meias grossas ou um pijama de auto-ajuda. Devo ser um caso desesperado porque o meu do ano passado dizia “Keep trying/ Don’t get discouraged/ Everything will work out“. Espero que o deste ano seja quentinho porque o quarto da casa nova é virado a Norte.

(Mãe não fiques zangada comigo por escarnecer fingidamente dos teus pijamas. Não fosses tu e continuaria a usar pijamas de flanela como os da Ally McBeal. Btw, se algum dia encontrares um igualzinho aquele de nuvens que ela tinha por favor oferta-me!).

Dói, um tapinha não dói.