Archives for the month of: Janeiro, 2015

0 Leia o resto deste artigo »

preliminares-03

 

O céu brilha lá fora, estou quase a acabar a Pós-Graduação e até fui à SicMulher com o blogue, vejam bem! Nada como algum reconhecimento mediático para me elevar o humor e inspirar posts cheios de boa disposição. A não ser, claro, que tenha andado semidespida pelos corredores televisivos e acabado com uma bruta constipação. Esta é a triste verdade: toda eu sou ranho e acumulei leituras de quilos de fotocópias para o meu exame final. Portanto, da próxima vez que alguém me sugerir falsamente que faz um calorão em estúdio, ou que um vestido preto fica sempre bem, vou simplesmente adotar uma gola alta, um come back, aliás, já preconizado pelos Lonely Island em 2011. Bom humor onde andas tu?

Enquanto contemplava o rasto de lenços de papel que deixo atrás de mim ao estilo Hansel & Gretel (não vá eu esquecer-me do caminho até ao próximo pacote de lenços) lembrei-me daquela cena romântica do Titanic em que a Rose embate veementemente com uma palma suada na janela do carro em que o Jake se encontrava a levá-la à loucura. E pensei: ali tão perto de um monstro de gelo e a brincarem nus! Constipação pela certa, mas um destino muito menos cruel. E… Cá está ele! O meu bom humor voltou. Nada como percorrer uma checklist de tragédias para fazer o que tem que ser feito. No caso: uma review das ocorrências que misturam atividade sexual e condução de veículos.

1) Lá na minha terra de origem, além do hardcore também temos uma panóplia de miradouros improvisados que fazem as delícias dos adolescentes fumadores de substâncias ilícitas. Locais estes que são também a predileção dos jovens hormonais que dão os primeiros passos para a consumação. Um conselho: não acenem em sinal de reconhecimento se encontrarem uma cara familiar. É possível que logo de seguida surja uma face enrubescida vinda diretamente da braguilha desse alguém e desconfio que ambos apreciarão que a atividade decorra sem incidentes voyeuristas. Já eu só frequentei estes locais para apreciar o Tejo.

2) O felácio em andamento ou uma mão malandra a percorrer o lugar do morto são também um hit;

3) Para quem quer fugir aos miradouros sobrepopulados há sempre uns quantos parques de estacionamento aparentemente apetecíveis. Pode é dar-se o espanto que a dada altura, provavelmente após a remoção das roupagens e consequente distribuição de saliva por uma área corporal abrangente, se aperceberem que alguém lhes está apontar um laser! Um laser! “Quem são os engraçadinhos a brincar aos lasers?” “Nem sabia que ainda se faziam lasers” “Vendem no chinês de certeza”. “E se for um sniper?!” “Não porra!! São as câmaras de segurança do ginásio!” E é a debandada.

4) Sofrer questionamento policial em que os machos trocam olhares cúmplices e avaliam a presa é também, infelizmente, um clássico. “Aqui estacionados tivemos que vir averiguar”. Yeah right.

5) Dizem que o twingo é o melhor carro para o efeito. Eu cá sempre desconfiei desse carro, que parece que vem com uns olhinhos ou que a qualquer momento vai emitir vocábulos como aqueles dos filmes antigos de domingo. Mas, para alguns, é um carro tão tão satisfatório que conheço uma moça que comprou um banco de twingo num ferro-velho porque desenvolveu uma estratégia algo rígida de obter orgasmos cuja condição indispensável era decorrer naquele banco específico. Pelo que o levou para casa.

6) E primeiro prémio vai para… Aquele casal que foi parar ao meio do rio porque o carro estava destravado. “Não sei pai, não consigo mesmo perceber como aconteceu!”

Espero que tenham apreciado esta viagem pelas adolescências.

1 Leia o resto deste artigo »

precoce-01

Este tema sopesa-me há uns tempos. Por que raio é que há homens que se preocupam obsessivamente com isto? É claro que eu sei a resposta à pergunta – há ansiedade de desempenho e monitorização excessiva que, associadas a experiências “desastrosas”, vão alimentando esta disfunção chata. É chata porque normalmente não é um problema orgânico, apesar de melhorar um pouco com alguma medicação (antidepressivos, vejam bem!), tem mesmo a ver com insegurança.

Mas querem saber a verdade? Não é nenhuma anormalidade ter uma ejaculação mais rápida de vez em quando. Entre adolescentes e jovens, normalíssimo, e, mesmo entre adultos pode aparecer sem aviso prévio. A psyche é tramada. Claro que com o envelhecimento as ejaculações tendem a retardar… O que é positivo para os mais rápidos e um pouco aborrecido para os outros. Contudo, podem sempre adequar as práticas sexuais. A satisfação sexual é um jogo contínuo de adaptação ao outro, às suas diferenças fisiológicas e anatómicas, às suas preferências e apetites, e, muito frequentemente, às alterações destas ao longo do tempo! “Adaptação” no sentido em que temos que gerir o repertório do outro, sem comprometer o nosso, mantendo sempre presente a noção de que neste jogo fazemos parte da mesma equipa.

Lembro-me de um tipo que a certa altura ejaculava sempre que lhe era verbalizado “Amo-te” durante o ato. É de salientar que isto não acontecia antes – salvo talvez no primeiro contacto sexual -, mas passou a acontecer, até voltar a extinguir-se (porque nunca foi uma grande preocupação para nenhum dos envolvidos). A verdade é que não vale a pena ficarem muito chateados por ejacularem depressa demais. Tenho tentado defender uma tese que implica que O SEXO NÃO ACABA QUANDO ELE SE VEM! A penetração nem sequer tem que ser o objetivo… Para muitas pessoas essa nem é a forma mais satisfatória de viver a sexualidade. Portanto, se ejaculam “depressa demais”, divirtam-se a fazer outras coisas. Esta genitalização do prazer dá-me cabo dos nervos.

Além de tudo isto, arrisco dizer que conheço poucos (ou nenhuns) homens ou rapazes que não tenham ejaculado depressa (ou até perdido a ereção) na ânsia de uma relação sexual muito desejada. Então se há afetos importantes envolvidos, esqueçam, é certinho. E querem saber uma coisa? Eu acho uma fofura. Penso sempre “devo ser mega gatinha para isto ter acontecido”. Case closed.

Esta página sobre ejaculação prematura é bastante boa (apesar de completamente heteronormativa, sorry). Cruzei-me com ela porque vi um anúncio quando estava a tentar pesquisar sobre futebolistas gay no Record ou na Bola. Não encontrei nada sobre o assunto, facto que me fez refletir em Se o Cristiano Ronaldo Fosse Gay?, portanto assumo esta improbabilidade estatística com humildade, mas ampliei o meu conhecimento ao nível de sites jeitosos sobre disfunções sexuais masculinas. Anúncios sobre medicamentos para as disfunções sexuais em sites de bola. Go heteronormatividade.

Não ando muito certa com as minhas publicações, pelo que peço desculpa (apesar de ninguém o lamentará mais do que eu). A precariedade está finalmente a tratar-me da saúde mental. No outro dia chorei porque o tipo do guichet do metro se me recusou a aceitar a renovação do passe pelas traseiras, obrigando-me a sair da plataforma da estação do Marquês de Pombal e a pagar outro bilhete para voltar a entrar. Disse-lhe um sumido mas potencialmente lesante e malcriado “Faço noutro dia então, deixe estar”, entredentes, enquanto o orgulho me apunhalava seca e dolorosamente e me abria “as torneiras atrás das orelhas”, uma rima que minha mãe fazia para se reportar ao meu choro infantil.

A verdade é que ando preocupada com esta história do emprego. De qualquer forma espero publicar em breve acerca de ejaculação rápida versus tardia, o que acham?

1 Leia o resto deste artigo »

ay_caramba-01

Venho por este meio revisitar o tema do sexo anal e sentimentos associados. Confidenciou-me a namorada do meu irmão que quando se estreou no blogue foi logo o que lhe calhou, pelo que não voltou a fazer mais nenhuma incursão até esta o voltar a convencer que era seguro. Reparem que eu falo sobre sexo, não necessariamente sobre a minha atividade de campo, mas mesmo assim julgo que vou proceder a um novo trauma ao rebento mais novo. É um novo tipo de bullying fraterno. Já agora desculpa Pedro, por ter permitido que a mãe te castigasse pelas minhas “porcarias” (termo cunhado ao mau uso dos objetos domésticos lá de casa, que é como quem diz escangalhar brinquedos e sujar a alcatifa – estávamos na virada para os anos 90, um momento glorioso para a proliferação dos ácaros). Espero ter compensado quando fingia que não sabia que bebias Baileys às escondidas. Vamos lá:

“Ambivanalência”
Ambiguidade de sentimentos que se prende com o desejo de inserção de um objeto sexual ânus arriba e concomitante avaliação de risco da atividade.

Já fiz uma exposição acerca do assunto em Maio de 2014 e, precisamente, por se tratar de uma questão a que se associam pensamentos e sentimentos simultaneamente positivos e negativos, passo a apresentar ações para a extinção destas contrariedades.

Regra nº 1: caso a ideia de sexo anal cause somente sentimentos de repulsa ou medo não o pratiquem. Ninguém deve fazer nada que não deseje efetivamente. Estes manuais servem somente aqueles com algum nível de ambivanalência. Para aqueles sem afetos positivos para com a atividade resta a comunicação assertiva com @s parceir@s e a fruição do sexo como bem entenderem. Felizmente há muito a explorar.

Manual para principiantes
Há que tratar a analidade com a cortesia proporcionada à virgindade mas aproveitando os conhecimentos adquiridos com a nossa Estória Sexual. E o que retiramos de mais importante? É que não há coito sem vontade. Para os homens isto é fácil de compreender porque a biologia lhes fornece pistas óbvias, nomeadamente a afluência sanguínea tumescente que implode do pénis e parece conferir-lhe estrutura óssea. Já os indícios de frenesi feminino são somente visíveis da primeira fila, apesar de facilmente discerníveis através do tato. Portanto, idealmente, a penetração anal ocorre num momento de grande excitação sexual.
O que fazer se esta prática for desejada mas não necessariamente acompanhada de sintomas de lubrificação em barda, devido ao medo da porcaria, contágio, dor? Três coisas: 1) Podem recorrer a um laxante ou efetuar uma limpeza com um enema, que usa água; 2) Devem utilizar preservativo, uma vez que é uma boa forma de evitar a contaminação por bactérias. Nunca, mesmo nunca, retirem o pénis (ou o que for) do interior de ânus e voltem a colocá-lo em qualquer outro orifício, pois muito facilmente dará direito a infeção. Daí a pertinência do preservativo – caso a tentativa de sexo anal não corra bem retira-se o preservativo e arranja-se moral para desbravar outros territórios. 3) Por último, necessitam de lubrificação – natural, proveniente da saliva ou de um lubrificante de compra. Optem sempre por aqueles de silicone e não à base de água, que tendem a desaparecer.

Manual para iniciados
Entrou? Então sai. Errado. A entrada ânus acima pode ser desconfortável ou dolorosa mas a sua saída é mil vezes pior. É um momento twilight zone em que julgamos ter regredido ao tempo em que usámos fraldas. E ainda por cima dói. É possível que esta prática só se torne absolutamente confortável após algumas tentativas, se é que alguma vez tal ocorrerá. A melhor opção para a tornarem tolerável é efetuarem a inserção apenas até onde conseguirem e, em vez de grandes patifarias, limitem-se a movimentos curtos, sem grande amplitude e, sobretudo, comuniquem! Se vos for somente viável inserirem a glande (cabeça do pénis), por motivos de desconforto maior, é isso mesmo que devem fazer. Talvez de próxima já vez seja possível mais um centímetro. Já vi razões piores para tatuar uma régua no local.

Manual para avançados
Quando a prática de sexo anal se dá espontaneamente e os níveis de ambivanalência são já risíveis. Só tenho uma dica. Nunca mas mesmo nunca praticar sexo anal e ingerir mexicano genuíno, nessa ordem, a não ser que queiram promover a autocombustão espontânea com foco de ignição esfincteriano. Quem diz mexicano diz qualquer coisa picante e clandestina lá para os lados do Martim Moniz que a vossa herança genética seja incapaz de metabolizar e obrigue à expulsão célere. E ardente.

 

O post de segunda está atrasado mas acho que vai valer a pena. Vem aí um manual de sexo anal..!

Porque o próximo post é sobre sexo anal, aqui vai um filme #DefineBeauty da Nowness

Com realização de Guy Aroch, fotógrafo de moda, conta com o rabiosque de Chanel Iman e outros, que são alvo de um olhar voyerista enquanto a alguns transeuntes é pedido que definam “the magic gap”.

0 Leia o resto deste artigo »