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Ele mora em Telheiras Norte?! Isso é longe. Porque é que não vão morar juntos? Sempre poupavam uns trocos. Foi por isso que eu fui viver com a R*****. Além de que faz companhia. Deita é cabelos”. Amigos sábios ❤

Intimidade. Considerações específicas: O sexo e seus desaires.

Já se ultrapassaram questões complexas como o mau hálito matinal, os flatos noturnos e até mesmo a utilização repartida da casa de banho que, como sabem, inclui confronto com munhanhos de cabelo (ou pelo) de outrem, hábitos de higiene ao nível da manutenção da manicure (“Eu corto diretamente para a sanita”, “Eu faço um molhinho”, “Eu cá roo”) e, claro, com os aromas naturais provenientes na tubagem gastrointestinal e das tradições alimentares de cada um. Espargos dão xixi com cheiro esquisito, café acelera o metabolismo e provoca engarrafamentos sanitários, e o chili nem preciso de descrever em que resulta.

Falta agora encarar a sexualidade real. Aquela cuja frequência deixa de incidir em 100% dos encontros (mal seria) e que é mais compatível com o estilo de vida corriqueiro. Aquela que já não despoleta verbalizações do género “Uau! Tu és sempre assim?!” e aquela em que as práticas orais às oito da manhã são já limitadas a ocasiões especiais. Especialíssimas. Já que as imposições laborais voltam a importar e a apresentação de uma autoimagem de hipersexualidade deixa de preocupar. Esta adequação de expetativas ocorre naturalmente e é concomitante com o desenvolvimento de outros hábitos.

Passa a dormir-se de pijama, o que é um alívio. Time out para o grupo Calzedonia e Thumbs up para a Inditex e Cortefiel, que investem numa panóplia diversa de trajes noturnos. Bem sei que dormir nu ativa a produção de não sei o quê – não vou atestar a veracidade da informação –, que é muito positivo para a sensualidade e até melhora a qualidade do sono. Muito bonito, sobretudo se for numa sesta encalorada de Verão, mas a perspetiva de sentir penugem do meio das costas a mover-se ao ritmo da expiração alheia é o suficiente para me pôr já com insónias. É que o quarto é virado a norte, como sabem.

Fazer sexo evolui para fazer amor, o que é um desgosto para a mulher do Mário Alberto (esta é velha, eu sei). Passa inclusivamente a ser ofensivo designar o ato de forma a não explicitar uma jura eterna. Pelo menos é o que a sociedade espera de nós, apesar de não ser infrequente ouvir a alguns “Fazer amor? Nunca percebi muito bem o que querem dizer com isso” – o que pode indicar que esta dicotomia sexo/amor não satisfaz. Bom, que cada um faça o que lhe aprouver!

E partilham e curam-se doenças lado a lado, inclusivamente as genitais. O recurso ao Gino-Canestan (cujo prefixo leva a pensar erradamente que a aplicação tópica se processa somente em vaginas), esse ato carregado de lascívia, é elevado a conversa de cabeceira, como se a convivência de estados gripais não fosse já suficientemente desaprazível.

Voltaremos ao relato minucioso da intimidade amorosa e sexual.

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