ay_caramba-01

Venho por este meio revisitar o tema do sexo anal e sentimentos associados. Confidenciou-me a namorada do meu irmão que quando se estreou no blogue foi logo o que lhe calhou, pelo que não voltou a fazer mais nenhuma incursão até esta o voltar a convencer que era seguro. Reparem que eu falo sobre sexo, não necessariamente sobre a minha atividade de campo, mas mesmo assim julgo que vou proceder a um novo trauma ao rebento mais novo. É um novo tipo de bullying fraterno. Já agora desculpa Pedro, por ter permitido que a mãe te castigasse pelas minhas “porcarias” (termo cunhado ao mau uso dos objetos domésticos lá de casa, que é como quem diz escangalhar brinquedos e sujar a alcatifa – estávamos na virada para os anos 90, um momento glorioso para a proliferação dos ácaros). Espero ter compensado quando fingia que não sabia que bebias Baileys às escondidas. Vamos lá:

“Ambivanalência”
Ambiguidade de sentimentos que se prende com o desejo de inserção de um objeto sexual ânus arriba e concomitante avaliação de risco da atividade.

Já fiz uma exposição acerca do assunto em Maio de 2014 e, precisamente, por se tratar de uma questão a que se associam pensamentos e sentimentos simultaneamente positivos e negativos, passo a apresentar ações para a extinção destas contrariedades.

Regra nº 1: caso a ideia de sexo anal cause somente sentimentos de repulsa ou medo não o pratiquem. Ninguém deve fazer nada que não deseje efetivamente. Estes manuais servem somente aqueles com algum nível de ambivanalência. Para aqueles sem afetos positivos para com a atividade resta a comunicação assertiva com @s parceir@s e a fruição do sexo como bem entenderem. Felizmente há muito a explorar.

Manual para principiantes
Há que tratar a analidade com a cortesia proporcionada à virgindade mas aproveitando os conhecimentos adquiridos com a nossa Estória Sexual. E o que retiramos de mais importante? É que não há coito sem vontade. Para os homens isto é fácil de compreender porque a biologia lhes fornece pistas óbvias, nomeadamente a afluência sanguínea tumescente que implode do pénis e parece conferir-lhe estrutura óssea. Já os indícios de frenesi feminino são somente visíveis da primeira fila, apesar de facilmente discerníveis através do tato. Portanto, idealmente, a penetração anal ocorre num momento de grande excitação sexual.
O que fazer se esta prática for desejada mas não necessariamente acompanhada de sintomas de lubrificação em barda, devido ao medo da porcaria, contágio, dor? Três coisas: 1) Podem recorrer a um laxante ou efetuar uma limpeza com um enema, que usa água; 2) Devem utilizar preservativo, uma vez que é uma boa forma de evitar a contaminação por bactérias. Nunca, mesmo nunca, retirem o pénis (ou o que for) do interior de ânus e voltem a colocá-lo em qualquer outro orifício, pois muito facilmente dará direito a infeção. Daí a pertinência do preservativo – caso a tentativa de sexo anal não corra bem retira-se o preservativo e arranja-se moral para desbravar outros territórios. 3) Por último, necessitam de lubrificação – natural, proveniente da saliva ou de um lubrificante de compra. Optem sempre por aqueles de silicone e não à base de água, que tendem a desaparecer.

Manual para iniciados
Entrou? Então sai. Errado. A entrada ânus acima pode ser desconfortável ou dolorosa mas a sua saída é mil vezes pior. É um momento twilight zone em que julgamos ter regredido ao tempo em que usámos fraldas. E ainda por cima dói. É possível que esta prática só se torne absolutamente confortável após algumas tentativas, se é que alguma vez tal ocorrerá. A melhor opção para a tornarem tolerável é efetuarem a inserção apenas até onde conseguirem e, em vez de grandes patifarias, limitem-se a movimentos curtos, sem grande amplitude e, sobretudo, comuniquem! Se vos for somente viável inserirem a glande (cabeça do pénis), por motivos de desconforto maior, é isso mesmo que devem fazer. Talvez de próxima já vez seja possível mais um centímetro. Já vi razões piores para tatuar uma régua no local.

Manual para avançados
Quando a prática de sexo anal se dá espontaneamente e os níveis de ambivanalência são já risíveis. Só tenho uma dica. Nunca mas mesmo nunca praticar sexo anal e ingerir mexicano genuíno, nessa ordem, a não ser que queiram promover a autocombustão espontânea com foco de ignição esfincteriano. Quem diz mexicano diz qualquer coisa picante e clandestina lá para os lados do Martim Moniz que a vossa herança genética seja incapaz de metabolizar e obrigue à expulsão célere. E ardente.