Archives for the month of: Fevereiro, 2015

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Eu andava a evitar mais um post destes. Já está na altura de voltar ao meu registo original, em que discorro disparatadamente sobre um tema sexual puro e duro. A verdade é que fui brindada com um daqueles fins de semana em que até tinha planeado ir aos meus pais e tal mas enrodilhei-me nas finas teias da socialização fraterna e fui antes presenteada com memórias avassaladoras.

Há um momento importante na vida em que uma pessoa adere à depilação brasileira. Esta ocasião, também designada por “Fui à Elsa e voltei com um hitler”, tem patente uma mutação sem retorno no styling púbico, que não mais volta à forma clássica ou tão pouco permite um revivalismo de inspiração vintage. Até que uma pessoa pensa, “Se é para ser assim mais vale ir tudo”. Errado. É que antes de aparecer uma Clínica do Pêlo (não usam o novo acordo), em todo o bairro respeitável a cera assumia-se como o único método comprovado de dolorosa eficácia. Já a efetividade não é uma caraterística que pudéssemos acrescentar à lista de especificações. É que a adoção provisória de um bigodinho implica o surgimento do seu negativo cerca de uma a duas semanas após a ponderada decisão de ir total. Não sei se estão a perceber o que estou a dizer… Não nasce tudo ao mesmo tempo!!! E emerge um hitler invertido. Como se não fosse suficientemente desagradável sentir um símbolo do nacional-socialismo a proliferar numa zona tão íntima podia dar-se o caso de ter que ostentar tal marca. “Errr eu, não costumava ser assim, foi a esteticista”. E assim se adere à estética vulvar de influência porno.

É um bocado fazer o papel de amiga estoica e ir à farmácia do bairro ao lado comprar a pílula do dia seguinte para outrem – podemos negar culpabilidade, mas ninguém vai acreditar em nós. Adolescência, em ti bebo frequentemente inspiração.

Para a semana trarei notícias incríveis acerca de ereções matinais… Wait for it… Em ambos os sexos! É verdade é.

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Como a minha vida decorre algo desorganizada e não disponho de muito tempo para reflexões aprofundadas, resolvi apresentar factos sexuais avulso. A verdade é que basta abrir os olhos e os ouvidos – eles andem aí.

Para começar há posters espalhados um pouco por toda a cidade de um gato fedorento em pelota, versão Ken da Barbie. Onde, em circunstâncias normais, encontraríamos a genitália do Ricardo Araújo Pereira, verificamos, ao invés, que esta fora substituída por uma cueca “cor-de-pele” (expressão etnocêntrica passada à minha geração para designar a cor daquela caneta de feltro Molin que, em todo o caso, só se assemelha à tez das miúdas que se passeiam no 1º andar do Lux a partir das 4h da manhã). Também as pernas foram trocadas por uma versão mais higiénica, totalmente desprovida de pilosidades, como se vestidas de latex de super-herói se encontrassem. Transformaram o Ricardo num sex simbol de plástico photoshopado e ele é o mais atónito de todos nós. Quem é que dizia que a vida imita a arte? Pois, de tanto fazer comédia, acordou numa.

Reparei que um canal qualquer do cabo (ou fibra ou que raio está nas nossas redes nos dias que correm) está a repor o Sexo e a Cidade. Escolhi um episódio aleatório e fui abençoada com o rabiosque do Smith Jerrod (por falar em homens nus). Já muito se discorreu acerca do impacto da série. Há quem diga bem, a Pipoca Mais Doce diz mal (mas ela é um pouco crítica, não é?) mas uma coisa é certa: série alguma teve tal impacto. Se fizéssemos uma análise de conteúdo ao repertório verbal das mulheres desse mundo fora, certamente que as palavras clitóris, orgasmos e masturbação surgiriam com muito mais frequência depois da exposição aos alter-egos. Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda puseram mais sexo na boca das mulheres do que qualquer sex simbol masculino. (Lamento Ricardo).

Por falar noutra coisa, já leram “O meu amante de domingo”, da Alexandra Lucas Coelho? Façam-no. Assim principia:

“O meu amante de domingo fez uma tatuagem na cadeia. É a cara de uma santa, no peito oposto ao do coração. Ele tem peitos duros, pontudos, ela está entre o mamilo e a axila, quando ele baixa os braços é como se a protegesse. A cadeia foi por abandono da Porta das Armas, o abandono da Porta das Armas por causa de uma mulher. Basicamente ele largou tudo para foder.”

E para o grand finale… Sabiam que os bares de strip-tease masculino em Londres têm um panic buton para o caso de algum grupo histérico de velhotas cockney saltar o bar e atacar um moço devido a uma implosão de hormonas sexuais?

E é tudo. Até #sexta-feira.

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Ó diacho, o que vou eu escrever sobre o dia dos namorados, esse feriado esquisito? Mas, quer dizer, se os ateus comemoram o Natal apesar de não acreditarem em Deus, os comunistas também apesar de não crerem no consumo, e até mesmo mães feministas abraçam a causa com estufados, gratinados e sobremesas – se todos estes rabugentos sobrevivem ao Natal -, também eu me aguentarei à bronca no dia dos namorados. (Vou só estrebuchar um bocadinho).

O que há a dizer acerca dessa conceção romântica cuja data estipulada é perfeitamente arbitrária? É que no Brasil este feriado é comemorado a 12 de Junho. O que me lembra uma história engraçada, de uns amigos que casaram nesse dia,-uma portuguesa e um brasileiro que conseguiram a proeza requintada de unir os laços do matrimónio nas noivas de Santo António e no São Valentim brasileiro – por mero acaso (dizem eles). É tão inacreditavelmente piroso que dá a volta. Como um tipo que conheço, filho de gente de esquerda à séria ali do Príncipe Real, que por nascer dia 25 de Dezembro ficou Salvador, numa espécie de anedota anticristo.

Mas era para falar do dia dos namorados, não era? Lembrar-me-ei para sempre do correio sentimental cuja distribuição era da responsabilidade da AE da secundária. Aquilo era tão divertido para mim que num ano até me voluntariei para pôr o processo em marcha – e olhem que eu sempre fui mais do género voluntária à força, daquelas que acabava por pagar do meu próprio bolso os jornais da escola que me incumbiam de vender, só para não passar pela infelicidade de impingi-los aos vizinhos. Mas adorava aquele marco do correio. Lembro-me que tinha eu aí 16 anos e fiquei muito doente no dia 14 de Fevereiro. Perdi a distribuição, mas a Rita leu-me uma carta muito bonita por telefone. O seu autor pintava-me, poeticamente, a correr nua pela praia (e isto foi antes dos Toranja). Já o meu cenário mental foi bastante menos idílico, só de pensar no espetáculo de carnes a abanar.

Na verdade a parte mais divertida do dia dos namorados sempre foi o “jantar de encalhados”. Claro que também não é uma má desculpa para passar tempo de qualidade com a outra metade. Já impor-lhe o caráter de comemoração obrigatória e, sobretudo, inundar as redes sociais de clichês floridos, é criminoso (e meio caminho andado para eu optar por “ocultar do feed”, o que não é muito simpático mas um mal necessário). Também agradecia que cabeleireiros chiques parassem de me tentar oferecer descontos de 10% em packs de manicure, pedicure, depilação, madeixas, etc., etc. É que o dia dos namorados não implica um extreme makeover (sobretudo se o desconto for de 10%). Vou só ali ao Lux, ver os PAUS.

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Quem inventou a expressão “ano novo, vida nova” estava muito enganado. O Janeiro foi uma sucessão de desesperos económicos, daqueles que implicaram inclusivamente recurso ao resgate. Eis se não quando, enquanto me enrodilhava cada vez mais no meu próprio novelo de aflições, tudo mudou. Não precisava era de ter mudado tudo ao mesmo tempo.

Portanto Sábado de manhã efetuei o meu exame final, almocei num vegetariano muito agradável e até provei uma “cerveja viva” ucraniana (daquela que só tem um mês de validade). Posto isto cheguei a casa e permaneci esperando pelas chaves do novo lar. Vieram as chaves pelas nove da noite. Com uma equipa de estoicos amigos terminámos a mudança pelas quatro da manhã. Ao meio dia de domingo a escritora famosa que veio substituir-nos nem queria acreditar que não restava um móvel. Pudera, multiplicavam-se desordenadamente no andar de cima. Sim, é que me limitei a mudar para o topo do prédio. Poderiam pensar que isso facilita. Sim e não. Ah e tal é só subir, não é preciso senhores das mudanças. Nem sequer é preciso arrumar as coisas em caixas, leva-se só para cima. Muito bonito! E agora onde está a minha roupa “smart casual” que vem nas especificações do meu novo emprego? Leia o resto deste artigo »