Archives for the month of: Março, 2015

BRASIL (1)

Rumo ao Brasil. A São Paulo, que será a minha casa, mas também a Ubatuba, a Paraty e ao Rio, onde olharei outro Cristo, maior do aquele que me mira de Almada todos os dias. Sou inundada de questões pertinentes. Desvendarei finalmente as artimanhas brasileiras da sedução? Será verdade que os brasileiros são o povo do mundo cuja duração das relações sexuais excede todos os outros? Claro que há coisas que eu já sei: é do conhecimento universal que “as braseiras dão mais o cu”. Até porque toda a gente sabe que todas elas têm rabos reef. Ou melhor, “bundas”, tenho que começar a adotar vocábulos nativos. Abundam dizeres sobre bundas. São verdades tão incontestáveis como o facto de todas a portuguesas serem feias e bigodudas. E fazerem ótimo pão. Ai os estereótipos.

Agora a falar a sério. Uma vez vi um foto-documentário acerca de padeiras portuguesas e jurei que nunca mais ia tentar combater tal boato. Bigode era o menos agora a barba impressionou-me, em rolinhos, como o cabelo de judeus ortodoxos. Quer dizer, só pensei em judeus porque estou a ler um livro em Jerusalém. A verdade é que a barba das padeiras aparentava uma zona pudenda pré-púbere, semeada de pilosidades mal semeadas. O que nos traz ao que interessa: sexo, pois é.

Na verdade não sei o que esperar do Brasil e dos brasileiros, apesar de todas as ideias de outros que vou transportando comigo. Não sei se os brasileiros fazem mais sexo ou não. Se fazem tem certamente a ver com o calor. Chega que Inverno lisboeta, de quartos virados a norte e de adventos traumáticos do primeiro contacto com os lençóis. Até me espanta que os europeus façam sexo de todo durante o inverno. A não ser que durmam no hotel de aeroporto que eu dormi em Paris antes de me pôr na alheta para São Paulo. O CitizenM. Meu deus. Uma king size encaixada num quarto futurista, com uma casa-de-banho de de vidro fosco no meio, cortinas e neons de todas as cores. Programáveis. Apreciei particularmente o ambiente “party”, que transformava a atmosfera numa sucessão de pantones arco-íris. Por fim senti que talvez fosse um ritmo PRIDE demasiado alucinante. Fiquei-me pelo ambiente “movie”, um vermelho escuro, constante, a meia luz, muito adequado para a visualização de pornografia. Que era, aliás, o que me era oferecido no catálogo. Aí pensei para os meus botões que talvez tivesse ido parar a um motel, só para evitar o Íbis. As reviews eram óptimas e o preço o mesmo…

Anyway, encontro-me a escrever no telemóvel e dentro de umas horas aterro em Guarrulhos. Mato saudades dos meus amigos de sempre e discutirei muito acerca de sexo. Não descansarei enquanto não desvendar todos o segredos brasileiros do sexo! Ou muitos deles, pelo menos. Ou alguns vá. Um ou outro já não era mau.

Eu sei que ando calminha mas ando a preparar umas novidades para vocês… Para a semana rumo ao Brasil e à Filipa com quem muito discutirei este blogue – e São Paulo e as praias e os costumes – e voltarei cheia de histórias para contar, prometo. Por agora deixo-vos mais um filme da Nowness, sempre deliciosos. Este é dos Dent De Cuir, um coletivo de realizadores estabelecidos em Montreal. “It is about a girl, a bad one, who’s too sexy for human beings…”

“Dye: She’s Bad” by Dent de Cuir – NOWNESS from NOWNESS on Vimeo.

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puta-05

Aparentemente “puta” deriva de “poda” e remete para um ritual pagão que implicava um bacanal de oferenda à Deusa, numa celebração da poda das árvores. Isto tem piada porque eu tenho um amigo que a certa altura se dedicou à jardinagem e frequentou, inclusivamente, um workshop de “poda”. Muitos tomaram esta ocupação de tempos livres como algo peculiar, bizarro até. Tivesse eu ido à wikipédia mais precocemente, teria sido inundada de imagens mentais do Ricardo, rodeado de hippies em dádivas à Deusa e amando a Terra. É que assim é muito mais fácil perceber a preferência por tal hobbie. Anyway, o que me parece é que antes de o Rei Artur andar lá à traulitada com os pagãos, havia umas coisas dignas de importância a acontecer. Depois veio a Igreja e a mea culpa mea culpa e pode passar-se uma vida a tentar expiar o nosso interesse sexual. Mas eu queria chegar a uma definição:

Puta

Mulher que se prostitui = Meretriz, prostituta, rameira.

Mulher que tem relações sexuais com muitos homens.

Acho que isto de ser puta tem muito que se lhe diga. A expressão é comummente depreciativa. No entanto, desbravou territórios inauditos e viajou dos quartos das “mulheres do prazer” (é o que significa prostituta em holandês – giro, não? – talvez explique porque os holandeses têm uma visão mais positiva e protetora das trabalhadoras sexuais) até aos dos comuns mortais. Entre muitos casais, imagino eu, operou-se a uma reabilitação da expressão e o que é excitante passou a ser putaria. Este revés irónico da história agrada-me particularmente. Ao mesmo tempo que “puta” é possivelmente o insulto com maior carga emocional para uma mulher, há um contexto em que é uma coisa boa. Gostar de sexo e procurar o prazer – ser puta – é possivelmente o ingrediente mais excitante numa relação sexual.

Acho que devia enriquecer por providenciar esta informação. Décadas de publicações cor-de-rosa em que são desvendados “Os 5 segredos para o seduzir”, “10 truques que o vão deixar doidinho” quando basta uma coisa só…

Gostar de sexo.

O foco está errado desde sempre. A forma como fazemos as coisas interessa muito pouco, até porque se prestarmos distraidamente atenção ao que estamos a sentir é quase intuitivo (mesmo que mude de relação para relação); o que interessa é querer estar a fazer o que se está a fazer. Isso sim ensandece qualquer um de luxúria. Portanto, se alguém quer desvendar os subterfúgios de providenciar prazer ao outro, só tem que fazer uma coisa: permitir-se a ter prazer, o resto vem.

(Estou obviamente a desconsiderar todos os ignóbeis que querem putinhas na cama e queridinhas para casar, que ainda os há, e desaprovo qualquer tentativa de lhes agradar).

Se gostar de sexo é ser puta, então quero ser puta. Puta, rameira, mulher do prazer. Quero ser isso tudo.

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amanhacer-01

Homens e mulheres, ninguém está a salvo, vem a ciência dizer. Os primeiros aperceber-se-ão do sucedido com mas facilidade, uma vez que a anatomia específica proporciona pistas visuais mais evidentes. Já as mulheres têm aquilo escondido lá em baixo, embrulhado em duas camadas de lábios. Não admira que esta informação tenha permanecido secreta durante tanto tempo.

Por “aquilo” refiro-me ao clitóris – o primeiro pénis a existir – e que não funciona de modo muito diferente. A verdade é que todos os homens antes de serem homens (e terem pénis) foram mulheres. Ou melhor, todos os embriões foram embriôas. Só uma semanas após a fecundação é que aqueles a quem calhou o cromossoma perneta vão ser bombardeados com hormonas que transformam o órgão sexual feminino – o clitóris (e não a vagina, para que não haja confusões) no masculino, aquela cena que muitos afirmam ter vida própria e “necessidades”. Estou a tornar-me cada vez mais sensível a este assunto. A próxima pessoa a quem ouvir “Os homens têm necessidades” leva um piparote na testa (tenho umas ganas de agressividade, eu). Vá lá, ninguém morre por falta de sexo, talvez por excesso dele, não o contrário.

Concluindo, não é o clitóris que é uma espécie de pénis masculino, quando muito o pénis é o clitóris masculino. Mas esta conversa só serve um propósito (além da minha agenda tendencialmente feminista que mesmo quando procuro evitar me escorrega pelas teclas): salientar as semelhanças orgânicas entre sexos. Usando a linguagem corrente (e machista e desadequada) – Todos temos um pénis, logo, todos temos ereções. Logo, todos temos ereções matinais.

Para ser mais precisa, temos ereções várias vezes ao longo da noite, sempre que renovamos o ciclo de sono. Muito sumariamente: passamos por 4 fases de sono, uma REM e três não REM. É na fase REM que o pénis se enche de sangue e fica ereto. A teoria que procura explicar este fenómeno indica que, sendo a reprodução tão importante para a sobrevivência da espécie, se desenvolveu esta mecanismo de manutenção, não vá o aparelho estragar-se e não haver cá perpetuação genética. Isto é engraçado porque não parecem ser os sonhos que despertam as ereções (os sonhos também ocorrem na fase REM), é mais o facto que o corpo estar em manutenção que poderá elicitar sonhos molhados – mas isto sou só eu a pensar alto. O ciclo de ereção masculina noturna já é conhecido há meio século, mas só muito recentemente se começou a procurar observar os mesmos padrões nas mulheres. E eles estão lá!! E é nestas alturas que adoro a ciência (e odeio a sociedade, por se interessar pelas mulheres sempre em segundo lugar).

As mulheres também têm ereções matinais e as outras todas que os homens têm ao longo da noite. Isto explica muitos sonhos, não é verdade?

Beijinhos meu amores ❤