BRASIL (1)

Rumo ao Brasil. A São Paulo, que será a minha casa, mas também a Ubatuba, a Paraty e ao Rio, onde olharei outro Cristo, maior do aquele que me mira de Almada todos os dias. Sou inundada de questões pertinentes. Desvendarei finalmente as artimanhas brasileiras da sedução? Será verdade que os brasileiros são o povo do mundo cuja duração das relações sexuais excede todos os outros? Claro que há coisas que eu já sei: é do conhecimento universal que “as braseiras dão mais o cu”. Até porque toda a gente sabe que todas elas têm rabos reef. Ou melhor, “bundas”, tenho que começar a adotar vocábulos nativos. Abundam dizeres sobre bundas. São verdades tão incontestáveis como o facto de todas a portuguesas serem feias e bigodudas. E fazerem ótimo pão. Ai os estereótipos.

Agora a falar a sério. Uma vez vi um foto-documentário acerca de padeiras portuguesas e jurei que nunca mais ia tentar combater tal boato. Bigode era o menos agora a barba impressionou-me, em rolinhos, como o cabelo de judeus ortodoxos. Quer dizer, só pensei em judeus porque estou a ler um livro em Jerusalém. A verdade é que a barba das padeiras aparentava uma zona pudenda pré-púbere, semeada de pilosidades mal semeadas. O que nos traz ao que interessa: sexo, pois é.

Na verdade não sei o que esperar do Brasil e dos brasileiros, apesar de todas as ideias de outros que vou transportando comigo. Não sei se os brasileiros fazem mais sexo ou não. Se fazem tem certamente a ver com o calor. Chega que Inverno lisboeta, de quartos virados a norte e de adventos traumáticos do primeiro contacto com os lençóis. Até me espanta que os europeus façam sexo de todo durante o inverno. A não ser que durmam no hotel de aeroporto que eu dormi em Paris antes de me pôr na alheta para São Paulo. O CitizenM. Meu deus. Uma king size encaixada num quarto futurista, com uma casa-de-banho de de vidro fosco no meio, cortinas e neons de todas as cores. Programáveis. Apreciei particularmente o ambiente “party”, que transformava a atmosfera numa sucessão de pantones arco-íris. Por fim senti que talvez fosse um ritmo PRIDE demasiado alucinante. Fiquei-me pelo ambiente “movie”, um vermelho escuro, constante, a meia luz, muito adequado para a visualização de pornografia. Que era, aliás, o que me era oferecido no catálogo. Aí pensei para os meus botões que talvez tivesse ido parar a um motel, só para evitar o Íbis. As reviews eram óptimas e o preço o mesmo…

Anyway, encontro-me a escrever no telemóvel e dentro de umas horas aterro em Guarrulhos. Mato saudades dos meus amigos de sempre e discutirei muito acerca de sexo. Não descansarei enquanto não desvendar todos o segredos brasileiros do sexo! Ou muitos deles, pelo menos. Ou alguns vá. Um ou outro já não era mau.