Archives for the month of: Maio, 2015

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cuni

Há de facto qualquer coisa de espantoso quando boca e língua se aplicam disciplinada e eficazmente na sucção vibrátil de toda a área da vulva. Se aliadas a um dedo ou dois e fazer coceguinhas naquela parede rugosa lá de dentro, nem se fala. Exceto, claro, quando não é espantoso.

O cunnilingus é habitualmente pensado como uma forma nobre de atividade sexual, em que um elemento ativo veste a capa do altruísmo e se atira de cabeça (mesmo) à indagação lingual da genitália feminina. O minete, meu amigos, enaltece quem o pratica. Já o broche não eleva ninguém, mas isso é outra conversa.

Hoje narro a Ode Ao Mau Uso do Minete, porque nem tudo neste ato é necessariamente de calibre superior. Parto daquele momento em que duas pessoas sabem que vão fazer sexo. Um deles decide-se a proporcionar divinas dádivas lambidelas e migra para Sul. Encontra uma vulva. Gordinha e cintilante. Inicia a sessão de lambuzamento.

“Mas, mas, mas o que é que vais fazer aí abaixo? Eu estou bem, não é preciso molhar mais. Ah isso é bom. Assim devagarinho. Isso. Devagar. Devagar. Vá. Calma. Eu gosto mas também não é preciso exagerar… Calminha. Calma! Assim estás a lambuzar tudo!

Vá concentra-te, ele está a esforçar-se. Bom. Isto é bom. Estou é a sentir uma corrente de ar. De onde vem este vento? Não me posso constipar por ali, pois não? É porque estou encharcada e isso não é nada bom. Claro que não me constipo, que estupidez. Toma atenção. “Sexo oral é incrível”, toda a gente sabe. Oh meu deus estou a sentir a baba a escorrer pela coxa. Sim, é oficial, tenho uma cascata de gosma vaginal ensalivada a desaguar em enxurrada nos lençóis de lavado. Será que antes de passarmos à próxima parte posso absorver com um guardanapo? Bom, mais vale agora tentar concentrar-me nisto. Vá lá, um orgasmo e acaba. Um último esforço. Epa, não consigo não consigo sentir nada com essa fricção desenfreada. Ai ai ai. Até parece que sinto um formigueiro. Acho que estou a ficar dormente. O que é que ele está a fazer? Vai usar os dedos, ok. Cuidado, não gosto de sentir unhas. Hum? O que é que…? Não cuspas. Não te atrevas a cuspir. Nãaaaaaaaooooooooo! Porquê meu deus? Quero um kleenex e é já!”

To be continued…

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Hoje tinha programado escrever sobre cunnilingus mas sofri um evento de vida que urge partilhar.

Inscrevi-me no ginásio, apesar da eterna lesão da virilha direita e daquele estalido rotular que já encaro com carinho, e lá fui a uma aula matutina do Ginásio Clube Português. Daquelas em que a média da população ronda os 65 anos com um desvio padrão para a pré-reforma e outro para o cuidado geriátrico. Se pensam que encarei a tarefa com arrogância, estão muito enganados. Toda eu sou humildade.

Dei uma corridinha, estiquei uns grupos musculares e muito satisfeita concluí que findaria a sessão sem lesões. Uns agachamentos para aqui, uns pesos para ali – de 2 quilos, coisa pouca, que eu queria tratar-me com meiguice -, tudo correu dentro dos limites do expectável. Aula de intensidade moderada, tecnicamente controlada e sem levar nenhum reformado à vergonha alheia. Até que me deu a confiança.

Pus-me de pé num ápice e com 28 anos de existência compreendi o verdadeiro significado de ver estrelas. Não é que uma pessoa veja estrelas, mas fica de noite, por mais que abra os olhos. E depois há aquela sensação da vida a esvair-se pelos braços e pernas, como se quisesse juntar-se à Deusa no coração da terra. Os pensamentos são profusos mas num único sentido: “Please com 3ª idade a ver nãaao!”

Uma pessoa engole o orgulho e senta-se num cantinho. Mas o orgulho é uma coisa lixada e logo quer levar a sua avante. Pela goela. Eu não me limitei a bater em retirada. Ainda tive tempo de sentir o meu orgulho a incorporar-se numa bola de bílis que, em hercúleo esforço anti gravitacional, se elevou ao longo do meu esófago e… “Burb”. Bolsei. Temia um vómito em jato, pelo que até encarei o resultado com otimismo.

“Podia ter sido pior”, refleti, e lá me encaminhei para os balneários. Só foi pena ter entrado nos masculinos. Ainda me lancei uns bons 20 metros adentro até ter sido intercetada por um aposentado em cuecas.

R.E.S.P.E.C.T. para a turma sénior das 8.30 GMT.

E sim, amanhã falo de sexo. (Mas no fundo está tudo relacionado).

(e quem diz amanhã, diz para a semana, ok?)

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