tumblr_n8knz5iee11tw3zbio1_1280

Nunca escrevi sobre contraceção porque sentia que era um tema demasiado “feminino” mas, em boa verdade, devia ser um tema quente, tanto para aquelas que evitam preenchimento uterino com milagres de multiplicação celular, como para aqueles que se deitam com elas (independentemente da frequência).

Nem sei bem por onde começar, até porque tenho já um historial longo de maus tratos nos serviços médicos dessa Lisboa fora.

O preservativo, também conhecido como o malfadado saco de plástico que estrangula o prazer masculino e fricciona desagradavelmente o feminino, é a única hipótese verdadeiramente adequada para a maioria e encontra-se disponível no mercado livre. Claro que, pela sua desagradabilidade ao toque é frequentemente preterido, sobretudo por monogâmicos em série (tipo eu).

É prática comum, quando nos encontramos numa relação monogâmica de compromisso, ascendermos à contraceção hormonal. Tal comporta um significado bonito: confiamos um no outro, não transportamos doenças (porque, obviamente, já permitimos que nos extorquissem sangue para a testagem necessária) e podemos amar-nos livremente, sem artefactos de latex. UMA MERDA. Qualquer pessoa que já tomou a pílula percebe, possivelmente, do que estou a falar.

Ora a pílula combinada de progesterona e estrogénio é uma coisinha simples. Ingere-se um comprimido por dia durante três semanas e interrompe-se por uma semana, para fazer a sangria de manutenção habitual. Tudo bem. Tirando, obviamente, aquelas mamas aumentadas que se lhe sucedem logo após uma semana de toma. Fixe, não é? Mamas grandes e tal. Nope. Sucede-se a retenção de líquidos, a celulite e, muito provavelmente, a aquisição de calças do número acima. Às alterações corporais descritas seguem-se outras, nomeadamente ao nível do desejo sexual. Portanto, engolimos hormonas para poder fazer sexo e depois, ups, não queremos fazer sexo. Se tiverem o azar de deprimir e necessitarem de medicação, nem se fala. Pílula + Antidepressivos é aquele combo fatal de anorgasmia feminina. Além disso, a minha médica do planeamento familiar (que prezo muito) disse-me em confidência, no outro dia, que se salvam casamentos só por retirar a pílula! Eu arriscaria dizer que se salvam vidas, a avaliar pelo mau humor e pela total falta de resistência à frustração que me ataca nas eventualidades da toma estrogénica. É que uma pessoa fica com vontade de morrer ou, mesmo, de matar outro. A minha sábia amiga MT disse-me no outro dia que, na dúvida, é melhor que mate alguém. (Também gosto muito de ti MT).

Então, o que fazer? Há outras opções. Eu própria fui fã do implante contracetivo, que é uma espécie de pau de chupa-chups que é colocado no nosso braço esquerdo com um agulhão assustador e que nos dá a nossa dose diária de progesterona (parece mesmo um pau de chupa-chupa, branco, fino e oco). Para pessoas com impulsos auto e hétero agressivos quando estão a dar no estrogénio é uma boa opção. E baratinha também, já que se se colocar no Centro de Saúde são 0€ durante 3 anos. Forreta como sou, ninguém precisou de me convencer. Não aumentei de tamanho; contudo, uns anos depois tornei-me uma pessoa desregulada (não da cabeça, acho que por aí continua tudo certo) e tornou-se impossível. Removi o chip e já não pertenço aquela classe de pessoas tipo ciborgue, qual Dana Scully quando os alienígenas lhe introduziram um para ter acesso a informação terráquea privilegiada.

E aqui me encontro, livre de hormonas circulantes falsas, procurando evitar os olhares emprenhadores da família e amigos. Quem conseguir ajudar-me com isto, por favor fale agora! É que, por mais que num mundo utópico não fazer contraceção pareça uma ótima ideia, o meu espírito controlador não o permitirá ad eternum.