Parei de escrever há um ano, constato. Pouco leio também, se excluirmos todas as “policies” e “procedures” que a Implementação atualiza freneticamente. Não sei quanto às outras empresas mas o meu querido call-center anglo-saxónico “implementa” sempre qualquer coisa naquele dia em que sinto que apreendi a anterior. Um pouco como os iphones quando nos obrigam a fazer um update quando finalmente os esvaziámos de fotografias e aplicações obsoletas. Creio piamente que a lentificação extrema deste artefacto que uso como extensão braçal só pode mesmo constar de um plano Superior para o treino de resistência à frustração.

Continuando. Há dias em que sinto que o meu cérebro implodiu e só oiço um beeeeeeeep contínuo. Stress, dizem. Mas não faz mal porque isto só acontece em dias de intenso multitasking. Coisa de  mulher, dizem (e eu discordo vivamente). O meu cérebro, ao longo destes dois anos, parece ter ficado perdido num vortex linguístico, em que português, inglês e até o portunhol se fundiram num híbrido sofrível. Esta e outras  constatações têm contribuído  para a cisma filosófica prolongada sobre a existência humana. Qual o propósito da vida se pouco sobra de trabalhar?

Não vou responder à questão acima porque entraria necessariamente em terreno nebuloso cujo desfecho possível seria tão somente a depressão – e para buracos negros já chega o estado lastimável deste blogue.

Este será o meu único post de 2016 mas é um post cheio de promessas para 2017. Vou voltar à carga porque não me perdoo se abandonar isto. “Isto” leia-se o Pronto a Despir, em que tanto investi. Mas para tal preciso de aceder a ideias, angústias, preocupações, testemunhos – portanto escrevam-me sempre que desejarem. Por uma questão de preservação da realidade nao vou fazer vãs promessas ao nível da regularidade ou qualidade da minha escrita, mas posso prometer posts mais frequentes sobre sexo, mesmo que da autoria de outrem. Em 2017 vou fomentar um estilo menos perfecionista (e procrastinador) e apostar na divulgação diversificada.

Ler-me-ão em breve, prometo.

Leonor