Kids

Pasmem-se: vi o Kids pela primeira vez. Depois de uma noite mal dormida acordei e estive a chafurdar em tudo o que é trivia sobre o filme. Que murro no estômago. Quando o filme acabou achei que nunca mais ia fazer sexo. Claro que depois percebi que o filme não é sobre sexo, apesar de ter sido conotado como pornografia infantil por alguns, é um filme sobre violência, violência sobre mulheres (e não só). Encontro-me num estado de grande perturbação que sei que se vai prolongar até que me encontre zangada. Ai como é difícil não odiar os homens. Sendo que por “homens” não me refiro aos homens propriamente ditos e mais ao sistema que lhes possibilita as violências. Estou a falar do filme e não estou. É óbvio que as personagens masculinas do filme também sofrem as suas violências, nomeadamente as de serem uma juventude abandonada, de um meio pobre, em que ser sociopata é basicamente uma forma de sobrevivência. Mas, mesmo este olhar sobre as coisas, não tira o nó no fundo do meu esófago. O filme tem imensas camadas e vale a pena pensar numa perspetiva intersectional não só nas questões de classe e de género, mas também nas raciais. Há muito para refletir eu estou a fazer um mau trabalho porque ainda estou perturbada. E vocês devem estar a pensar, esta viveu num tupperware e acordou para o Kids 25 anos depois, e é verdade (e se eu vos confessar que também não vi o Trainspotting nem sei…).

Autor: prontoadespir

Sexo descomplicado.

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