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Eu sei que até escrevi há umas semanas sobre o orgasmo mas foi publicado recentemente um artigo no jornal Sol com o título “Tudo o que pensa sobre o orgasmo feminino está errado”, que já me foi reenviado várias vezes e portanto urge comentá-lo. Não, nem tudo o que pensamos sobre o orgasmo está errado, mas há de facto alguns mitos que continuam a perpetuar-se sobre o assunto, portanto sinto que o meu papel é continuar a descredibilizá-los – nomeadamente que existe um orgasmo que ocorre vagina e outro no clitóris; que há um ponto (g) na parede anterior da vagina capaz de enlouquecer uma mulher de prazer; e que algumas mulheres ejaculam que é um festival. Nop, nada disso. Passo a resumir:

Orgasmo vaginal é coisa que não existe.

Podem respirar de alívio meus caros porque se a vossa companheira não atinge o clímax só com penetração e na ausência de estimulação clitoriana não é por incompetência vossa, é uma questão mecânica. A vagina é um local praticamente insensível – um canal de nascimento – se fosse mais reativa ao que por lá passa os partos seriam o momento mais erótico da vida de uma mulher. (Com efeitos sobre a natalidade). Não é que seja impossível obter orgasmos durante a penetração, até porque algumas posições estimulam diretamente o clitóris – normalmente aquelas em que os corpos estão muito próximos, independentemente de quem está por cima – mas não é por isso que o orgasmo foi vaginal… Foi um orgasmo, somente. São todos causados pelo clitóris, o único órgão do corpo humano desenhado exclusivamente para o prazer.

O g-spot também não.

É verdade. Portanto podem já cessar as buscas. Quer dizer, não se perde nada em manter averiguações na área, mas dificilmente encontrarão este ponto milagroso, cuja localização exata foi apontada em mais do que um local em estudos nunca replicáveis. Sabem o que isto significa, não é? Má ciência. Está bem que o facto de não o encontrarmos não quer dizer que não exista… Semelhante raciocínio aplica-se também aos unicórnios. São tão fofinhos.

A ejaculação feminina tão pouco.

Eu sei, uma desilusão. Mas tanto quanto a comunidade científica pode afirmar neste momento o líquido abundante que algumas mulheres expulsam não difere de lubrificação. Em barda. É portanto uma “emissão”, não uma ejaculação. E não, não tem nada a ver com a estimulação do ponto g – que já referimos não existir.

Talvez os dados comportem alguma deceção mas, por outro lado, talvez minimizem alguma ansiedade com a performance sexual – algo típica entre homens, mas não só. O meu conselho é que deixem de perseguir unicórnios e se concentrem no que se sabe ser prazeroso – o clitóris.

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Espirro.

Sabem aquele momento antes de concretizarem um espirro em que utilizam todo o tipo de estratégias para não o deixar escapar? Tipo olhar para a luz do sol e, em momentos de maior de desespero, fitar incansavelmente lâmpadas de halogéneo a ver se a coisa se dá? (Apesar de isto de encarar o sol de frente ter todo o ar de ser um mito urbano e, diria até, um risco para as vistas mais frágeis). Um orgasmo pode assemelhar-se a isto. Há a antecipação de um momento de prazer – apesar de a expressão facial corresponder mais exatamente à previsão de uma calamidade – e a busca de um subterfúgio que leve aquilo por diante, que normalmente é só continuar a fazer aquele movimento que estava a correr bem, acelerando ou desacelerando à vontade do freguês. Parece fácil, mas às vezes escapa, como os espirros aliás, e é uma maçada. É que em vez do clímax sexual ou do alívio hedónico provocado pela expulsão de muco nasal em micropartículas aéreas, só permanece uma sensação de estranheza e incompletude, como se algo não estivesse como deve ser.

No fundo é tudo uma questão de concentração. Da mesma forma como arreganhamos a face e franzimos, com especial veemência, ao ponto de fecharmos os olhos, as narinas de modo a propulsar um belo espirro, também um orgasmo, quando está a vir (a vir), tem que ser agarrado. Não podemos deixá-lo escapulir-se por entre os dedos. Entre os dedos em sentido metafórico & literal. É necessário agarrá-los (aos espirros e aos orgasmos) com toda a nossa atenção. E em que nos focamos? Na genitália. Só. Todas as sensações espalhadas pelo resto do corpo são uma adição, frequentemente prazerosa e complementar, mas que não pode ser distrativa. Os pensamentos – sobre o que fazer para jantar, o relatório do dia seguinte e as dezenas de e-mails por responder – também não podem interferir. Há que escorraçá-los. Só há espaço para um pensamento/sentimento que pode apenas proliferar na vagina. No clitóris na verdade, mas isso é outra conversa. Pergunto-me se as pessoas com défice de atenção conseguem ter orgasmos.

Talvez esteja a levar esta comparação entre um espirro e um orgasmo demasiado longe. Afinal, o último está a associado a uma motivação humana importante para qual os humanos planificam comportamentos que culminem na sua realização. Já com os espirros não é bem assim. É fixe espirrar mas não imagino aí o pessoal a sair à noite em busca de one night sneezes. Claro que a avaliar pela roupa diminuta com que se sai é bem possível que seja isso mesmo com que nos deparemos (eu sou dessas pessoas frequentemente geladas, a quem faz sempre falta um casaquinho). Até diria mais com saídas à noite até se conseguem multiespirros vejam lá. Não são, no entanto, nem de longe nem de perto, tão divertidos como orgasmos múltiplos.

Será possível espirrar enquanto se tem um orgasmo?? Hum.

E chega de disparates por hoje.

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Há uma vida atrás escrevi um texto a chamei “Porque é que o sexo acaba quando ele se vem?”. Uns tempos depois publiquei uma versão do mesmo texto em português do Brasil na revista Obvious. Este terá sido, de longe, o meu texto que chegou a mais pessoas. Uma razão evidente para isto é o facto de ter sido publicado num país de dimensões continentais. Claro que também gosto de pensar que o texto tem o seu interesse. Reler coisas antigas é sempre agridoce, porque provavelmente sentimos que as escreveríamos melhor. Por outro, a inocência também pode ser deliciosa. Sinto que a minha visão sobre o sexo e o feminismo já evoluiu muitíssimo desde que escrevi o texto abaixo, a minha escrita também (mas no sentido de acomodar um híbrido anglo-saxónico). Contudo gostaria de voltar a partilhar este texto e, possivelmente, que alguém me responda à premissa inicial – porque acaba mesmo? Comentários escarninnos acerca do meu “brasileiro” aceitam-se.

Durante a atividade sexual a maioria dos casais heterossexuais tende a seguir um roteiro. Normalmente um dos elementos inicia comportamentos como acariciar ou beijar que, no caso de percepcionar disponibilidade sexual do outro, são sucedidos por atos progressivamente mais erotizados até à estimulação oral ou digital dos genitais. Dá-se então início à penetração e, eventualmente, aos orgasmos feminino e masculino. Refiro-me às fases da resposta sexual de desejo, excitação, orgasmo, patenteadas no modelo de Helen Kaplan (1974, 1979), uma evolução do de Masters e Johnson (1966, 1970). Menciono este modelo e não outro por este ser aquele que se encontra na base da categorização das disfunções sexuais dos manuais de diagnóstico americanos e europeus. Apesar de esta sucessão de fases da resposta sexual ser frequentemente discutível resume o que é tido como expectável, isto é, que a atividade sexual cessa quando o homem ejacula e que a ejaculação é o desfecho natural de uma transa.

A verdade é que a ideia de que a ejaculação finda a relação sexual é uma norma pré-estabelecida sobre a qual não refletimos muito. Há vários motivos para que assim seja, sendo que o mais óbvio é evolutivo. Sem emissão de esperma não há reprodução e inviabiliza-se a continuidade da espécie. Contudo, grande parte da atividade sexual visa somente o prazer e não inclui fins reprodutivos – o que poderia pôr em causa semelhante convenção, mas não são observados sinais nesse sentido.

Atente-se que, por vezes, as relações sexuais terminam sem que se dê o orgasmo feminino, sendo que tal é legitímo e não acarreta necessariamente frustrações. Já terminar uma relação sexual logo após o orgasmo da mulher e sem o equivalente masculino parece ilógico ou irrazoável – mas não é (ou não deveria ser). Pelo menos não numa perspetiva de igualdade de gênero.

O modelo de resposta sexual foi construído à imagem masculina e impõe um cânone, fruto de centenas de anos de limitação do poder das mulheres e que quer homens, quer mulheres foram responsáveis por manter ao longo dos tempos. Os homens impõem, as mulheres cumprem, o sistema alimenta-se. Porquê? De acordo com Hyde e Durik (2000), as mulheres, por possuírem menos poder, modelam e adaptam mais o seu comportamento do que os homens, detentores de poder. Este ajustamento que implica, como já vimos, uma discrepância de gênero, é notório no campo da sexualidade. Foi tão bem concebido e está tão intrincado na forma como se processam os relacionamentos que é aceite acriticamente. A ideia de cessar uma prática sexual apenas porque a mulher já obteve um orgasmo afigurar-se-nos como simplesmente bizarra. Mas será?

Já foram apontadas algumas causas: evolução, disparidade de poder entre gêneros, modelagem de comportamento (com subjugação ao prazer masculino). Pode acrescentar-se mais uma – a culpa. A eterna culpa judaico-cristã que postula que o prazer, sobretudo o feminino, é uma coisa feia. A culpa, aliás, pode ter um papel importante no desenvovlimento de disfunções sexuais femininas de acordo com o modelo de Pedro Nobre (2003).

O ideal é talvez o orgasmo simultâneo. Uma vez que tal não ocorre sempre, seria lícito que nuns dias fosse para ele e noutros para ela. No entanto, até o exercício de imaginar uma transa sem ejaculação é custoso, como se fosse contra a sua própria definição. É nonsense, um devaneio de sonhadores.

(mais…)

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Os casais deviam concentrar-se em não saber tudo sobre o outro, em não procurar fórmulas para o orgasmo ou aprender técnicas para proporcionar prazer. O aprimoramento da técnica tem o seu lugar, claro, e não é um esforço vão, contudo, ao otimizarmos qualquer coisa estamos necessariamente a aborrecer-nos. É como quando nos deslocamos para um local específico da plataforma do metro porque sabemos que nos encaminhará para a saída mais próxima na estação de destino. Se fizermos a travessia todos os dias este comportamento torna-se automático e deixamos de reparar nele. É a mesma coisa com os broches. O que interessa a eficácia se não fruirmos o processo? Às vezes até pode dar jeito. Despachamos a coisa e tal. Mas se quisermos mesmo que a ação reverta em algo significativo não há técnica que nos valha. A não ser que queiramos reproduzir o mesmo procedimento over and over and over. Boring. (Se notarem alguma sobreutilização de vocábulos estrangeiros tem que ver com o meu querido callcenter americano).

Não importa saber pôr a língua ali ou o dedo acolá. Talvez importe mais não chegar lá de todo, ou acertar ao lado, mantendo a hipótese de transgressão.

Ninguém se vai lembrar de um orgasmo. A não ser o nosso cérebro, claro, que fica viciado em dopamina. Na altura de fantasiar o que importa é o percurso até lá chegar (se se chegar). Não é a recordação de um orgasmo que vai levar à procura de outro.

O clímax é fácil. Requer um momento de concentração e movimentos bem aplicados. Tem muito mais a ver com o próprio do que com o que quer que o outro lhe esteja a fazer. Por isso é que existem orgasmos sem desejo e até sem prazer. Porque a excitação fisiológica pode existir por cima de tudo isto.

Não quero ser mal interpretada. Eu não estou a renegar a importância do orgasmo. (Sinto que tenho sempre que pedir desculpa por dizer estas coisas). Estou a apenas a anexá-lo para segundo plano no que toca à fantasia.

Porque é que os primeiros relacionamentos púberes podem ser tão excitantes? Porque há muito espaço para a fantasia e para a descoberta. Aliás, em situações ortodoxas só há mesmo fantasia. Não há grandes planos nem se sabe bem o que esperar. O mesmo acontece em relações novas. A excitação vem das possibilidades a existir e muito menos da realidade.

Não se iniciam relações a pensar em atingir o instante orgástico. Inicia-se uma relação porque é excitante, porque aquela pessoa nos dá pica, é estimulante, e queremos que nos toque (mas não sabemos bem onde). Em todo o lado, provavelmente.

A técnica e eficácia em proporcionar prazer parecem-me algo imberbes e só dão frutos ao ínicio. Depois é o salve-se quem puder ó meu deus o que é que eu faço para isto continuar interessante. Não há grandes conselhos. Só dois. O primeiro é explorar todos os recantos da pele. A pele é o maior órgão do nosso corpo. Mas esgota-se. A fantasia não – o segundo conselho. Portanto há que puxar bem pelo arquivo erótico do passado e apostar em cenários do futuro.

That’s all folks.

cuni

Há de facto qualquer coisa de espantoso quando boca e língua se aplicam disciplinada e eficazmente na sucção vibrátil de toda a área da vulva. Se aliadas a um dedo ou dois e fazer coceguinhas naquela parede rugosa lá de dentro, nem se fala. Exceto, claro, quando não é espantoso.

O cunnilingus é habitualmente pensado como uma forma nobre de atividade sexual, em que um elemento ativo veste a capa do altruísmo e se atira de cabeça (mesmo) à indagação lingual da genitália feminina. O minete, meu amigos, enaltece quem o pratica. Já o broche não eleva ninguém, mas isso é outra conversa.

Hoje narro a Ode Ao Mau Uso do Minete, porque nem tudo neste ato é necessariamente de calibre superior. Parto daquele momento em que duas pessoas sabem que vão fazer sexo. Um deles decide-se a proporcionar divinas dádivas lambidelas e migra para Sul. Encontra uma vulva. Gordinha e cintilante. Inicia a sessão de lambuzamento.

“Mas, mas, mas o que é que vais fazer aí abaixo? Eu estou bem, não é preciso molhar mais. Ah isso é bom. Assim devagarinho. Isso. Devagar. Devagar. Vá. Calma. Eu gosto mas também não é preciso exagerar… Calminha. Calma! Assim estás a lambuzar tudo!

Vá concentra-te, ele está a esforçar-se. Bom. Isto é bom. Estou é a sentir uma corrente de ar. De onde vem este vento? Não me posso constipar por ali, pois não? É porque estou encharcada e isso não é nada bom. Claro que não me constipo, que estupidez. Toma atenção. “Sexo oral é incrível”, toda a gente sabe. Oh meu deus estou a sentir a baba a escorrer pela coxa. Sim, é oficial, tenho uma cascata de gosma vaginal ensalivada a desaguar em enxurrada nos lençóis de lavado. Será que antes de passarmos à próxima parte posso absorver com um guardanapo? Bom, mais vale agora tentar concentrar-me nisto. Vá lá, um orgasmo e acaba. Um último esforço. Epa, não consigo não consigo sentir nada com essa fricção desenfreada. Ai ai ai. Até parece que sinto um formigueiro. Acho que estou a ficar dormente. O que é que ele está a fazer? Vai usar os dedos, ok. Cuidado, não gosto de sentir unhas. Hum? O que é que…? Não cuspas. Não te atrevas a cuspir. Nãaaaaaaaooooooooo! Porquê meu deus? Quero um kleenex e é já!”

To be continued…

SP

As férias fazem mal, toda a gente sabe. Três semanas de Brasil tornam qualquer atividade laboral indigesta. Por isso mesmo, enquanto mantiver o jetlag, pretendo alimentar o corte com a realidade e reviver os meus últimos dias, outrora menos vestidos.

Esperava em São Paulo encontrar amigos e as memórias de outros amigos, que por lá viveram, e comida, muita comida. E encontrei. Disseram-me que não ia encontrar amor mas sexo, meus amigos, não falta. Por onde começar? Pela porta de minha casa.

Bem à minha porta, na Praça Roosevelt, encontrava uma moradora de rua transexual dormindo sobre caixotes desmontados e imundos. Todos os dias me obrigou a imaginar o que a levou ali, se a identidade sexual contrária ao que lhe foi atribuído, se outra coisa qualquer. Depois havia os skatistas. De todas as categorias. Alguns deles um pouco trans. São Paulo tem tudo em tanta quantidade que até os skaters podem expressar géneros. Depois há os puteiros (aka bordéis) cheios de meninas à porta, que podem muito bem ladear um boteco (bar/tasca) ou uma academia (ginásio), e assumir com toda a ligeireza a atividade a que se dedicam. Poderia continuar a discorrer acerca de diferenças, mas vou focar-me nas linguísticas. E não, não abrasileirei, mas estou preparada para acusações dos mais puristas. Já é o que é por causa do acordo… Ora bem,

Por favor não expressem “Dói-me imenso o rabo” em lugar algum, muito menos na bicha do supermercado. Em minha defesa, quando estava em Ubatuba, Estado de São Paulo, escalava morros com pelo menos 30% de inclinação para desembocar na pequena praia do Cedro. O problema era a volta, que implicava um enorme esforço de travagem do grande e médio glúteos, de modo a não rebolar morro abaixo. Aparentemente “rabo” é uma das variadas expressões desemparelhadas entre os dois países irmãos. Julgo que todos aqueles paulistas julgaram que o meu fim de semana tinha implicado uma enorme surra de piroca anal, a avaliar pelos olhares curiosos de que fui alvo. É um pouco como perguntar “Tem café de saco?” – uma péssima ideia. Qualquer lojista português indicaria o caminho para filtros e moagem de cafeteira. Contudo, em português do Brasil, “saco” é a expressão comummente empregada para designar escroto. Escroto! Como se não bastasse espalhar aos quatro ventos que tinha o ânus em agonia, ainda buscava revitalização matinal com néctar testicular. Ótimo.

Mas não acaba aqui. As confusões multiplicam-se. Experimentem perguntar a pessoal simpático do Pará – um Estado do norte do Brasil que parece que tem uma feijoada verde que é uma delícia – “Opa, estão a gozar comigo?”… Silêncio. Confusão. Gargalhadas ensurdecedoras. Leonor Oliveira, líder em imagética pornográfica desde Abril 2015. Eu sabia o que significava, ok? Mas esqueci-me (por diversas vezes). “Vamos dançar todos nus e ter orgasmos simultâneos, meus bons amigos do Pará e da feijoada verde”, foi o que eu lhes disse, no fundo.

Ah mas a vingança portuguesa foi bela… Nada como questionar companheiros de língua de um continente distante acerca do possível significado de uma expressão – autoclismo, no caso. Despeço-me com uma entrada do dicionário informal das minhas férias:

Autoclismo, s.m. (auto + [cata]clismo)

Clímax sexual resultante do estímulo manual e/ou mecânico dos próprios órgãos sexuais.

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Como a minha vida decorre algo desorganizada e não disponho de muito tempo para reflexões aprofundadas, resolvi apresentar factos sexuais avulso. A verdade é que basta abrir os olhos e os ouvidos – eles andem aí.

Para começar há posters espalhados um pouco por toda a cidade de um gato fedorento em pelota, versão Ken da Barbie. Onde, em circunstâncias normais, encontraríamos a genitália do Ricardo Araújo Pereira, verificamos, ao invés, que esta fora substituída por uma cueca “cor-de-pele” (expressão etnocêntrica passada à minha geração para designar a cor daquela caneta de feltro Molin que, em todo o caso, só se assemelha à tez das miúdas que se passeiam no 1º andar do Lux a partir das 4h da manhã). Também as pernas foram trocadas por uma versão mais higiénica, totalmente desprovida de pilosidades, como se vestidas de latex de super-herói se encontrassem. Transformaram o Ricardo num sex simbol de plástico photoshopado e ele é o mais atónito de todos nós. Quem é que dizia que a vida imita a arte? Pois, de tanto fazer comédia, acordou numa.

Reparei que um canal qualquer do cabo (ou fibra ou que raio está nas nossas redes nos dias que correm) está a repor o Sexo e a Cidade. Escolhi um episódio aleatório e fui abençoada com o rabiosque do Smith Jerrod (por falar em homens nus). Já muito se discorreu acerca do impacto da série. Há quem diga bem, a Pipoca Mais Doce diz mal (mas ela é um pouco crítica, não é?) mas uma coisa é certa: série alguma teve tal impacto. Se fizéssemos uma análise de conteúdo ao repertório verbal das mulheres desse mundo fora, certamente que as palavras clitóris, orgasmos e masturbação surgiriam com muito mais frequência depois da exposição aos alter-egos. Carrie, Samantha, Charlotte e Miranda puseram mais sexo na boca das mulheres do que qualquer sex simbol masculino. (Lamento Ricardo).

Por falar noutra coisa, já leram “O meu amante de domingo”, da Alexandra Lucas Coelho? Façam-no. Assim principia:

“O meu amante de domingo fez uma tatuagem na cadeia. É a cara de uma santa, no peito oposto ao do coração. Ele tem peitos duros, pontudos, ela está entre o mamilo e a axila, quando ele baixa os braços é como se a protegesse. A cadeia foi por abandono da Porta das Armas, o abandono da Porta das Armas por causa de uma mulher. Basicamente ele largou tudo para foder.”

E para o grand finale… Sabiam que os bares de strip-tease masculino em Londres têm um panic buton para o caso de algum grupo histérico de velhotas cockney saltar o bar e atacar um moço devido a uma implosão de hormonas sexuais?

E é tudo. Até #sexta-feira.

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O céu brilha lá fora, estou quase a acabar a Pós-Graduação e até fui à SicMulher com o blogue, vejam bem! Nada como algum reconhecimento mediático para me elevar o humor e inspirar posts cheios de boa disposição. A não ser, claro, que tenha andado semidespida pelos corredores televisivos e acabado com uma bruta constipação. Esta é a triste verdade: toda eu sou ranho e acumulei leituras de quilos de fotocópias para o meu exame final. Portanto, da próxima vez que alguém me sugerir falsamente que faz um calorão em estúdio, ou que um vestido preto fica sempre bem, vou simplesmente adotar uma gola alta, um come back, aliás, já preconizado pelos Lonely Island em 2011. Bom humor onde andas tu?

Enquanto contemplava o rasto de lenços de papel que deixo atrás de mim ao estilo Hansel & Gretel (não vá eu esquecer-me do caminho até ao próximo pacote de lenços) lembrei-me daquela cena romântica do Titanic em que a Rose embate veementemente com uma palma suada na janela do carro em que o Jake se encontrava a levá-la à loucura. E pensei: ali tão perto de um monstro de gelo e a brincarem nus! Constipação pela certa, mas um destino muito menos cruel. E… Cá está ele! O meu bom humor voltou. Nada como percorrer uma checklist de tragédias para fazer o que tem que ser feito. No caso: uma review das ocorrências que misturam atividade sexual e condução de veículos.

1) Lá na minha terra de origem, além do hardcore também temos uma panóplia de miradouros improvisados que fazem as delícias dos adolescentes fumadores de substâncias ilícitas. Locais estes que são também a predileção dos jovens hormonais que dão os primeiros passos para a consumação. Um conselho: não acenem em sinal de reconhecimento se encontrarem uma cara familiar. É possível que logo de seguida surja uma face enrubescida vinda diretamente da braguilha desse alguém e desconfio que ambos apreciarão que a atividade decorra sem incidentes voyeuristas. Já eu só frequentei estes locais para apreciar o Tejo.

2) O felácio em andamento ou uma mão malandra a percorrer o lugar do morto são também um hit;

3) Para quem quer fugir aos miradouros sobrepopulados há sempre uns quantos parques de estacionamento aparentemente apetecíveis. Pode é dar-se o espanto que a dada altura, provavelmente após a remoção das roupagens e consequente distribuição de saliva por uma área corporal abrangente, se aperceberem que alguém lhes está apontar um laser! Um laser! “Quem são os engraçadinhos a brincar aos lasers?” “Nem sabia que ainda se faziam lasers” “Vendem no chinês de certeza”. “E se for um sniper?!” “Não porra!! São as câmaras de segurança do ginásio!” E é a debandada.

4) Sofrer questionamento policial em que os machos trocam olhares cúmplices e avaliam a presa é também, infelizmente, um clássico. “Aqui estacionados tivemos que vir averiguar”. Yeah right.

5) Dizem que o twingo é o melhor carro para o efeito. Eu cá sempre desconfiei desse carro, que parece que vem com uns olhinhos ou que a qualquer momento vai emitir vocábulos como aqueles dos filmes antigos de domingo. Mas, para alguns, é um carro tão tão satisfatório que conheço uma moça que comprou um banco de twingo num ferro-velho porque desenvolveu uma estratégia algo rígida de obter orgasmos cuja condição indispensável era decorrer naquele banco específico. Pelo que o levou para casa.

6) E primeiro prémio vai para… Aquele casal que foi parar ao meio do rio porque o carro estava destravado. “Não sei pai, não consigo mesmo perceber como aconteceu!”

Espero que tenham apreciado esta viagem pelas adolescências.

Publiquei hoje o meu primeiro artigo numa revista brasileira, a Obvious ❤

Deixo o link e o texto publicado, uma versão mais intelectual (e abrasileirada) de um artigo que tinha postado aqui.

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Durante a atividade sexual a maioria dos casais heterossexuais tende a seguir um roteiro. Normalmente um dos elementos inicia comportamentos como acariciar ou beijar que, no caso de percepcionar disponibilidade sexual do outro, são sucedidos por atos progressivamente mais erotizados até à estimulação oral ou digital dos genitais. Dá-se então início à penetração e, eventualmente, aos orgasmos feminino e masculino. Refiro-me às fases da resposta sexual de desejo, excitação, orgasmo, patenteadas no modelo de Helen Kaplan (1974, 1979), uma evolução do de Masters e Johnson (1966, 1970). Menciono este modelo e não outro por este ser aquele que se encontra na base da categorização das disfunções sexuais dos manuais de diagnóstico americanos e europeus. Apesar de esta sucessão de fases da resposta sexual ser frequentemente discutível resume o que é tido como expectável, isto é, que a atividade sexual cessa quando o homem ejacula e que a ejaculação é o desfecho natural de uma transa. (mais…)