#sensual

Tem sido muito fixe receber tantas fotografias para o #sensual (projeto de instagram). Claro que depois de tanta fotografia vou iniciar um período de recolhimento, sem inundar as stories de ninguém. A grande vantagem é que o meu feed está francamente melhorado. Recebi sobretudo fotos de mulheres gordas e de outras mulheres não magras e também estou satisfeita com a representação étnica, porque 1/3 das sugestões eram mulheres negras. Claro que há muitos outros corpos que não estão aqui representados, faltam mulheres mais velhas ou com diversidade funcional, mulheres trans, pessoas intersexo e homens! É curioso, não é? Ninguém enviou fotografias de homens com corpos fora do padrão. Há várias razões para isso, nomeadamente o facto de eu ser mulher e de ter mais seguidoras mulheres (apesar de os homens serem muito participativos). Julgo que, além disso, as pessoas quase “intuitivamente” julgaram que me estava a referir a mulheres. Vemos cada vez mais, e ainda bem, movimentos sociais no sentido de diversificar o padrão de beleza feminino. Há cada vez mais campanhas publicitárias e contas nas redes sociais que mostram estrias, celulite, mamas diversas, mulheres gordas e até mulheres trans. Mas não vemos o mesmo a acontecer para os corpos masculinos. É quase como se assistíssemos à ascensão simultânea tanto do empoderamento e sororidade femininas, como da masculinidade tóxica. Posto isto, vou implementar um dia #sensual mensal, tipo a primeira quarta feira de cada mês (porque não?), em que vou ativamente procurar incluir outros corpos.

A fotografia que vêm é @thefatsextherapist, uma pessoa não binária, bissexual queer, que trabalha assistente social a terapeuta sexual que trabalha com questões relacionadas com a imigração, com trauma sexual e gordofobia internalizada 😊

RIP Betty Dodson

Betty Dodson, possivelmente a mais influente educadora sexual, morre aos 91 anos.

Por causa das eleições americanas esta perda passou quase despercebida, mas não queria deixar de prestar homenagem à pessoa com que sempre sonhei fazer um workshop de masturbação. Cheguei mesmo a enviar-lhe um email em 2016 quando soube que ia passar uma temporada em trabalho aos Estados Unidos, pensado que não voltaria a ter oportunidade. E não tive mesmo. Imaginem um apartamento em Manhattan que umas poucas vezes por ano se enche com 15 mulheres (máx) que, nuas, observam as suas vulvas, revêm materiais didáticos sobre prazer, e a ainda têm direito a coaching ao vivo enquanto se masturbam com uma Hitachi (o percursos da Body Wand, de que já falei). Os workshops ”Body Sex” da Betty Dodson eram encarados por esta feminista da 2ª vaga como trabalho de justiça social. O que Betty continuava a ver nos anos 60, apesar dos movimentos de libertação sexual, e mesmo nos locais nova iorquinhos que possibilitavam sexo em grupo e todo o tipo de amores livres, é que as mulheres continuavam a performar orgasmos, sem fazer a mínima ideia do que fazer para lá chegar. (Um parênteses: o orgasmo não é igual a prazer nem tem que ser um objetivo de nenhuma relação sexual, mas não deixe de ser super fixe que esta senhora tenha continuado a ensinar mulheres a ter orgasmos até aos 91). Betty continuou a formar “bodysex leaders” para espalhar os seus ensinamentos e a sua companheira de negócios Carlin Ross promete continuar o trabalho que Betty e podem segui-la em @dodsonandross.

A fotografia é de Celeste Sloman para o New York Times e é Betty na sua casa em Fevereiro de 2020. O artigo correspondente está aqui.

Rocky Horror

Rocky Horror Picture Show. Ainda não inventaram melhor filme de Halloween. Para já, é com a Susan Sarandon e ela canta, além disso, é um festival de freakalhice queer do início ao fim. Para quem nunca viu: tentem imaginar que um filme de terror de série B teve uma colisão frontal com uma cassete VHS de soft porn e que da explosão resultou um filme de ficção científica erótico-musical com um toque de Transilvânia kitsch e sexualmente empoderador. Não conseguem, pois não? Só mesmo vendo.

Ao ar livre.

Ai as férias.

Hoje marquei as minhas. Sem querer puxar pela autocomiseração, até porque tenho o privilégio de poder marcar férias seguras neste momento, tenho saudades de viajar em clã, cheia de abraços e conversas íntimas e sem me preocupar quantos metros existem entre mim e o próximo. Em 2014 tive umas férias bem passadas nos Açores em que qual repórter da BBC atentei aos costumes sexuais locais. Escrevi um texto para este blogue que podem ler que é uma verdadeira delícia – Turismo Sexual Nos Açores.  É mesmo uma delícia, porque me perco a falar das iguarias gastronómicas locais. A ilustração é da @filipa_, o roteiro açoriano da @sofiacogumbreiro.

Este mês dedico-me ao sexo ao ar livre. Mais a escrever sobre ele do que a praticá-lo, mas nunca se sabe.

A Bica é linda!

Pois é, em circunstâncias normais encontrar-me-ia a tentar recuperar o corpo cansado de tanto bailar ao som dos mais multifacetados artistas, das subidas e descidas colina abaixo, colina acima dos últimos dias; a destilar o álcool em excesso e a tentar livrar-me do cheiro a sardinhas que parece que se entranha até debaixo da pele… *Suspiro*

Não fui mesmo feita para o confinamento, sobretudo neste mês que me dá tantas alegrias, em que celebramos os Santos, o Orgulho, o bom tempo. Até celebro os meus anos, vejam bem. Este é de facto um mês por que tenho muito apreço e em 2020 ganhei-lhe ainda mais um pouco. Quando o mundo me parece cada vez mais distópico vi a minha cidade juntar-se a tantas outras deste mundo numa luta antiracista que está muito longe de chegar ao fim. A luta contra a a homofobia, a bifobia, a transfobia e todas as outras fobias promovidas pela ignorância e falta de empatia também estão longe de chegar ao fim. Em Junho mantemo-nos semi-confinados, mas não alienados.

Masturbation May

Como estamos em pleno Masturbation May, essa celebração pagã, queria falar-vos um pouco destas festividades em nada oficiais. Parece que devemos a comemoração à Good Vibrations, a marca de sex toys @goodvibestoys, que em 1995 decidiu homenagear Jocelyn Elders, obrigada a demitir-se na era Clinton por sugerir que a masturbação deveria fazer parte dos currículos de educação sexual. Deve ter ajudado a vender sextoys mas não deixa de me parecer uma bela ideia.

Sugiro que passem os olhos em www.masturbationmonth.com e, se quiserem aprender mesmo mesmo muito sobre esta bonita forma de autoamor, aconselho o workshop da @carmogepereira já este fim de semana.

Resta-me dizer: Pagãos uni-vos! Amam-se muito.

Os não pagãos também, claro.