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Se o Cristiano Ronaldo fosse gay as trocas fluídicas bucais entre dois machos não mereceriam a atenção do observador como se se tratassem de um fenómeno de acasalamento da BBC Vida Selvagem. Narrado em português do Brasil ou, melhor ainda, por aquele senhor de voz familiar que nos contava dos animais enquanto a TVI passava a Eucaristia Dominical. E olhem que eu vivo no epicentro gay lisboeta – bear, mais especificamente, pelo que beber um copo na vizinhança implica a experiência singular de me sentar entre primos e clones do Joaquim Albergaria dos PAUS. Menos hetero e com barbas menos cool, claro está. Ainda assim, quando vislumbro manifestações sexuais-afetivas entre elementos do mesmo sexo sinto que presencio um momento especial.

Porque é que meti o Super-Ronaldo ao barulho? Passo a explicar. Do início:

Tive recentemente em vista uma colaboração televisiva para uma rubrica que visava abordar as conexões entre sexo e futebol (juro). Pois parece que não foi em frente (I wonder?) mas obrigou-me a refletir sobre possíveis conteúdos. Com intentos de estabelecer ligações entre golear e ter orgasmos, visão de jogo e precocidade, e outras relações não menos fracas e desinteressantes, ocorreu-me que não há futebolistas homossexuais. Ainda mais curioso é o facto de todas as mulheres futebolistas serem lésbicas. Ele há coisas do diabo. Agora imaginemos que em campo se repercutia a proporção gay/bissexual observada na população geral (1/10). Concebamos que um jogador por plantel se sente sexualmente atraído por pessoas do mesmo sexo. Conjeturemos ainda que esse jogador estaria disposto a envergar equipamento dry-fit com as cores do arco-íris. Suponhamos que estamos a falar do Cristiano Ronaldo e exercitemos a nossa matéria cinzenta ao indagar o impacto social desta revelação. Em versão soneto:

Se Cristiano fosse homossexual
Encarniçadas faces de friccionar
P’ra lá das Flores e do Príncipe Real
(Barbas) surgiriam a multiplicar

Não fosse Irina dos olhos doces
A loucura, o mundo ao contrário
Pensar um Ronaldo de poucas posses
E imaginar um milhão fora do armário

Se o melhor do mundo fosse gay
Acolher catraios seria lei
Onde é que iriamos parar?

Messi, Ronaldo entrelaçando mãos
(Sem qualquer jeito de irmãos)
E a sociedade a ulular

Estou prestes a ganhar um poetry slam. Ou a ver isto tornado um hit musical, de certeza.

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Quem nunca ouviu falar da história da bolacha? Aquela em que cada criaturinha borbulhante de testosterona batia uma punheta para cima de uma bolacha Maria e aquele que não se viesse comê-la-ia por fim. Uma daquelas atividades praticadas em roda com topping de bullying. Sou muito gráfica, eu sei, apesar de não estar certa de me encontrar a efetuar um relato fiel deste episódio mitológico. Mesmo que a bolacha seja uma mera figura arquetípica da adolescência masculina implicava bater punhetas em conjunto, disso tenho a certeza. E é aí mesmo que quero chegar. Enquanto eles participaram em orgias masturbatórias orientadas para o desempenho, a elas impingiram-lhes o sonho do amor e da afetividade pelo qual deviam aguardar passivamente. Não pensem que vou iniciar um dos meus habituais discursos feministas. Neste caso, devo dizer, não consigo decidir quais das expetativas sociais são mais danosas para a saúde mental e sexual – se as de performance, se as da ilegitimidade masturbatória.

Comecemos pelos rapazes. “Já sai água!”, confidencia alguém após o ato desesperado de espremer a pilinha até ela confessar uma irritada vermelhidão pré-púbere. Tudo isto porque ouviram contar a um miúdo amadurecido que já tinha sonhos molhados e agora já batia umas a sério. E assim se principia o ciclo de partilha masculina dos conseguimentos sexuais (a palavra conseguimento ainda é mais fixe quando prefixada com “in”). A partilha dá-se em ambiente de balneário ou até na sala de aula. Não há qualquer motivo para sentir vergonha. Ao contrário, ostenta-se cada aquisição desenvolvimental como um grito que soa a “Já sou capaz (e tu não)”, e a roda continua a girar, acumulando feitos e patifarias sexuais, culminando não infrequentemente nas minhas conhecidas “Disfunção Erétil” e “Ejaculação Prematura” (eu trabalho em saúde sexual). É que quando uma pessoa começa a sentir pressão para o desempenho sexual ainda antes da possibilidade física da sua fruição temos já um ingrediente indispensável à disfunção.

as adolescentes falam de príncipes encantados, amores platónicos e, a certa altura, de curtes (ainda se usa a expressão?) e de namoros. Falam pouco sobre sexo e ainda menos sobre masturbação. Apesar da “Cosmopolitan” disparar subtítulos como “5 Técnicas para se masturbar no chuveiro! Pensa que é a única mulher que se masturba?”, declarando a normatividade da coisa (enquanto nos agrilhoa a ideais de beleza inalcançáveis), todas sabem que é uma coisa demasiado feia para ser conversada. O desenvolvimento sexual feminino é fundamentalmente passivo. Quando lhes acontece serem tocadas e apalpadas são impelidas a abordar o assunto. “E o que fizeste? Deixaste?” “Ao início não, mas fui deixando aos pouquinhos…”. Ai de quem ouse tomar as rédeas da sexualidade ou não mais verá o seu nome gravado nas mesas estudantis sem o apêndice “puta” ou “saca-bicos”. Ao lado do “Joana loves Pedro” e do clássico “Se carregares neste botão a tua professora desaparecerá”. E nem mesmo a Raquel Saca-bicos vai assumir que tem orgasmos aos 14 anos. Sozinha. Porque pior que fazer coisas aos rapazes é ser parte ativa no próprio prazer. Masturbação, essa coisa suja. Talvez seja por isso que as adolescentes passam tanto tempo no banho (e não porque deixam máscaras capilares a atuar). A EPAL fica a ganhar. Os problemas sexuais também.

Quanto à bolacha, se alguém a comeu, permanece um segredo tão bem guardado para mim como o facto dos tipos da EMEL conseguirem dormir de noite. (Achei que podia juntar bullies e psicopatas na mesma frase).

The end.

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Quando pensam em viagens a Banguecoque na Tailândia o que vos vem imediatamente à cabeça? Deixem de lado os packs de turismo oficiais e pensem nos relatos do viajante típico. Há aquela cena das massagens com os pés, algo bizarro mas estranhamente relaxante (já experimentei em Lisboa), e aquele freak show das bolas de pingue-pongue que algumas tailandesas expulsam com aparente tranquilidade pelo orifício vaginal, certo? Conheço poucas pessoas, de sexo masculino fundamentalmente, que não tenham presenciado (e pago) para assistir a tamanha espetacularidade. Não há dúvidas de que é espetacular. É, na verdade, uma arte milenar. Sim, inserir e atirar objetos pela vagina é uma arte com cerca de 3000 anos e responde ao nome de pompoarismo. Vamos a um resumo histórico célere.

“Pompoar” significa pulsar em Tamil, língua do Sri Lanka e do estado de Tamil Nadu na Índia – e aqui eu já estive! É lindíssimo e aconselho embora tema não oferecer este tipo de shows de talentos. Pompoar é pois a sequência de contrações vaginais que se dão aquando do orgasmo. Pompoarismo é uma prática de fortalecimento dos músculos envolvidos neste processo que possibilita o controlo consciente dos mesmos e assim maximizar o prazer sexual feminino e masculino. Foi desenvolvido por tailandeses, chineses e japoneses com esse intuito e em ligação estreita com a espiritualidade – sim, para alguns povos orientais o sexo era uma prática divina. Para quem treina muito muito, como as senhoras tailandesas supracitadas, é possível também fumar cigarros, cortar bananas às rodelas e arremessar bolas de pingue-pongue para longe. Sim, com a vagina. Não vou chorar aqui pela adulteração das práticas e rituais tradicionais das outras culturas num esforço de comercialização ocidental (ok, estou a chorar um bocadinho) mas sim enaltecer os aspetos positivos desta modalidade “desportiva”.

Sabiam que a estrutura da vagina começa a alterar-se a partir dos 25 anos?! Ou seja, começa a descair como tudo o resto. É dramático. Podíamos pensar “para que é que eu vou tonificar os músculos vaginais se ninguém olha para eles?” Para:

  • Melhoria da flora vaginal, prevenção e cura da incontinência urinária e prolapso uterino;
  • Intensificar a libido, facilitar o orgasmo, aumentar a lubrificação vaginal, auxiliar o tratamento de disfunções sexuais;
  • Auxiliar o trabalho de parto, melhorar a circulação sanguínea e facilitar a cicatrização.

Portanto como veem, só vantagens.

Eu não sou nenhuma especialista em pompoarismo. O pouco que sei aprendi com a Carmo Gê Pereira num workshop. A Carmo é educadora sexual e lança hoje o seu novo site:

http://carmogepereira.com/

Deem uma vista de olhos =)

Outra coisa: as ilustrações da Filipa Pinto voltaram. Esta está absolutamente incrível! ❤ ❤ ❤

 

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Li recentemente o “Sexus” do Henry Miller. Confesso que Mr. Miller, a personagem ficcional e autobiográfica, me começou por irritar. Achei-o um parasita psicopatado e arrogante. A forma como parecia dispor dos outros causava-me uma enorme sensação de estranheza, surpreendendo-me desconfortavelmente – experiências dos sentidos apenas ultrapassadas pelas causadas pelas personagens femininas. Tolas ao ponto de merecerem estalos. Ou pelo menos ele assim as representava. Passei o romance, na íntegra, pensando “Não volto a ler nada deste tipo, que se lixe a trilogia”. O que é interessante era que, acoplada a esta rejeição da personagem, galopava a vontade de saltar de cena em cena de sexo. Dei por mim lendo dezenas de páginas na diagonal, na excitação de me deparar com o seu próximo encontro sexual. Felizmente, nesta fase de vida do Henry Miller, tal nunca se fazia esperar.

Não utilizei a expressão “excitação” por acaso. Excitante é efetivamente o termo. Não tenho dúvidas acerca da agravação da frequência punheteira proporcionada pelo “Sexus”. É absolutamente maravilhoso. Até para as mulheres. As descrições são cruas e absolutamente detalhadas. O tipo descreve-se como tendo uma virilidade mitológica, claro está, e um desejo insaciável, mas mostra-se muito orientado para o prazer feminino. As suas (múltiplas) parceiras estão sempre molhadas e sequiosas pelo seu toque ou língua, prendas que este lhes oferta sem hesitar. Têm sempre orgasmos e querem sempre mais. O Henry, um mouro de trabalho na cama, nunca lhes nega nada, além de que tudo o que lhes faz espontaneamente é recebido como uma dádiva. As descrições do seu pénis, em qualquer dos estados, são inteiramente realistas, verdadeiras ilustrações.

Eu sempre gostei de descrições. Os primeiros capítulos de “Os Maias”, uma tortura para alguns, foram um miminho para mim. Mas esqueçam os maples do Eça e deleitem-se com um excerto do Henry Miller:

“Parecia mais sedosa do que nunca, a cona dela, e eu deslizava os dedos para dentro e para fora, como quem toca um banjo. Estava com uma daquela ereções inchadas, a meia haste, que tornam a pila ainda mais agressiva do que quando está completamente cheia. Suspensa na minha braguilha, roçava na coxa dela. Ainda estava nua. Comecei a secá-la, a pila a endurecer aos poucos e a estremecer com pequenos espasmos na direção dela. Finalmente, não aguentou mais. Pôs-se de joelhos e meteu-a impulsivamente na boca. Passei-lhe os dedos pelos cabelos, a acariciar as orelhas e a nuca, e depois agarrei-lhe os seios e acariciei-os suavemente, deixando-me ficar nos mamilos até endurecerem. Ela tinha aberto a boca e lambia-me a pila como se fosse um doce.

– Mete, mete! – Pedia ela, a baba a sair-lhe dos lábios, a mão à procura da pila para enfiá-la.

– Meu Deus, agora é que te vou foder como deve ser. Não te preocupes que não me venho. Mexe-te o que quiseres… Sacode-te para cima e para baixo… Assim mesmo.

– Não te vens, pois não? – Pediu-me, os olhos no espelho do lavatório. – Estou toda aberta…

Aquele “toda aberta” despertou toda a minha luxúria. Enfiei-o devagar, aos bocadinhos, a mexê-lo de um lado para o outro, a roçar as pregas e o forro da cona toda aberta, até sentir a entrada do útero; foi lá que o enfiei com força, cravando-me ao rabo dela como se quisesse deixá-lo lá para sempre.

– Oh, oh – gemia ela – Não te mexas, por favor, aguenta!

Aguentei-me sim senhor, mesmo quando o traseiro começou a rodar, desvairado.

– Sabe tão bem – disse ela, a cabeça a descair, como que desarticulada do corpo. – Estás maior, sabes? Está apertado que chegue para ti? Estou tão aberta.

– Está bom – disse eu. – Encaixa lindamente. Olha, não te mexas mais… Aperta-a, só… Sabes como…

Virei-a para mim, a minha pila a brilhar com o líquido dela, e dura como um poste.”

And so on…

É possível que após a sua leitura tenham necessitado de uma incursão privada à vossa roupa interior. Percebo perfeitamente.

O que não percebo são os meus sentimentos em relação ao Henry Miller. Ele faz um uso instrumental de todos em seu redor, mas nunca deixa de lhes ser querido. Até as mulheres com quem se relaciona parecem somente ofender-se por curtos instantes, aceitando-o, por fim. Estas mulheres, que ele vê como tolinhas com a maturidade (e hormonas) de uma adolescente, parecem representar uma sua fantasia naïf, extraordinariamente sexuada, mas naïf, não obstante. São elas que lhe vão passando a perna e Henry não as compreende realmente. Eu também não o compreendo de facto e, apesar de ter prometido não voltar a lê-lo, fá-lo-ei certamente. Intriga-me a personagem. E é excitante, claro.

Por favor que alguém a me ajude a resolver esta minha ambivalência em relação ao Henry Miller.

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Pois é, parece que a maioria de nós – dos heterossexuais, leia-se – tende a seguir o mesmo guião: primeiro lá vem o desejo, seguido da excitação, normalmente auxiliada pela estimulação genital, dá-se início à penetração e, se tudo correr bem, lá se chega à resolução – ao orgasmo feminino e, por fim, à ejaculação. Por fim, sempre por fim. A sucessão destas fases da resposta sexual apesar de, a meu ver, discutível, é uma visão standard da coisa e vai de encontro ao expectável. Agora expliquem-me, porquê? Porque é que a relação sexual termina quando ele ejacula? Quem é que definiu isto? Foi, certamente, o Homem. Esse mesmo, aquele que se autoproclama Humanidade e que vem há milénios a sobrepor-se às mulheres (não, não dizemos “a Mulher” – é um facto). A verdade é que ejaculação findar a relação sexual é uma norma pré-estabelecida sobre a qual não pensamos muito. Quer haja orgasmo feminino, quer não, com a ejaculação, finito. Claro que isto faz algum sentido do ponto de vista evolutivo. Mas, considerando que aí 99% da nossa atividade sexual visa o prazer e não a reprodução (digo eu), talvez não seja uma convenção social assim tão brilhante.

Não quero ser injusta, até porque me parece que uma parte substancial dos homens procura que exista prazer feminino e se preocupa grandemente com a sua performance. Muitos só se permitirão a ejacular após o orgasmo dela. Claro que estas “boas intenções” podem camuflar uma espécie de preocupação despreocupada… “Ufa, já se veio, agora posso fazer as coisas à minha maneira!” e pimba, pimba, pimba. No geral, esta pode ser até uma boa estratégia – garante-se que a mulher tem prazer, para somente depois se concentrarem em maximizar o seu -, que normalmente implica a penetração total, repetidas vezes, com grande amplitude do movimento “dentro-fora”. A mim, no entanto, sopesam-me duas questões: 1) Lá porque uma mulher teve um orgasmo significa que teve uma relação sexual satisfatória? 2) Quem disse que depois do orgasmo há legitimidade para uma focagem somente no prazer masculino? Não há, sobretudo se a penetração implicar já desconforto para a mulher – o que nos momentos sexuais mais longos pode acontecer. Não quero ser excessivamente castradora, até porque há posições que darão mais prazer às mulheres do que aos homens – normalmente aquelas em que há mais contacto e fricção na zona da vulva e clitóris, mesmo sem estimulação direta (manual, oral) destas – mas defendo que o desconforto ou dor devem ser evitados, se possível e se não forem desejados.

Voltando à questão que iniciou tudo isto – Porque é que o sexo acaba quando ele se vem? Pois, não sei, mas desconfio que tem a ver com ambas as partes. Quantas vezes foi sugerido a uma mulher ser estimulada até atingir o orgasmo depois do “fim” da relação sexual, i.e., ejaculação masculina? Poucas, mas algumas. Quantas vezes foi a sugestão aceite pelas mulheres? Muitas menos, provavelmente. E tudo isto tem a ver com o quê? Culpa. A eterna culpa cristã que postula que o prazer (sobretudo o feminino) é uma coisa feia. Culpa e subjugação ao prazer masculino.

Suponho que o ideal seria um orgasmo simultâneo. Assumindo que tal não acontece todos os dias, parece legítimo que uns dias seja à maneira dele, outros à maneira dela, não? Agora imaginem uma relação sexual que acaba logo após o orgasmo feminino e sem ejaculação masculina. Yeah right.